Sobre a Consulta do Sono ao Domicílio

 

Eu recordo-me bem do desassossego dos primeiros tempos de vida da minha filha, aqueles dias em que não havia tempo para comer, ir à casa-de-banho, descansar e tinha uma filha que dormia bem! Por isso, compreendo que seja muito difícil gerir toda a vida de pais quando se tem um bebé que não dorme. Nestas situações, só pensar sair de casa pode ser difícil, por isso sou eu que vou a casa destas famílias. Sou eu que me desloco, sem tempo limite determinado para estar com cada família.

Desta forma, a consulta ao domicílio* permite mais conforto à família, permite a observação ao vivo do comportamento do bebé e das respostas dos pais, bem como, dos espaços onde o bebé dorme (avaliar ambiente de sono e produtos de sono utilizados) e, além disso, exemplificar na prática as estratégias que se podem utilizar em cada caso.

Recomendo a consulta ao domicílio para bebés pequenos até um ano de idade.
Precisa de melhorar o sono do seu filho? Agende já a sua consulta e sem precisar de sair de casa!

Para agendar envie um email para [email protected] ou ligue (+351) 91 915 37 66

*Nota:
A Consulta ao domicílio está disponível na região do Algarve e sujeita a confirmação, mediante disponibilidade.

 

A minha história de intolerâncias alimentares e sono

Intolerâncias Alimentares e Sono

Na minha infância não tive uma boa relação com o sono. Não sei o que despoletou o quê ao certo, mas estou certa que as minhas intolerâncias alimentares prejudicaram bastante o meu sono, bem como a aprendizagem de bons hábitos de sono. Quando se tem um bebé que está constantemente a chorar, a vomitar, com diarreia, desconfortável, o estar ao colo parece ser o único recurso que pode dar algum conforto. Então, experimentei o colo de quase toda a gente da família e, mesmo assim, não era fácil manter-me tranquila.
Como devem imaginar, era impossível manterem-me ao colo uma noite inteira, o que ainda dificultava mais a minha tranquilidade, pois não queria deixar aquele colo de maneira alguma, pois não conhecia o conforto e a segurança de outro sítio.

Agitação, falta de sono e choro persistente em bebés e crianças pequenas é exaustivo e stressante para todos na família. Algumas crianças que apresentam este comportamento podem ter uma alergia à proteína do leite de vaca. Esta proteína pode ser consumida através do leite artificial, alimentos sólidos ou passada através do leite materno. Os sintomas da alergia ao leite de vaca podem ser confundidos com os sintomas de cólica. As pesquisas feitas nesta área demonstram uma ligação entre a alergia ao leite de vaca e a dificuldade do bebê de adormecer e continuar dormindo. Um bebé com uma alergia alimentar acorda com muita frequência e chora bastante a noite, é agitado e facilmente irritável, o que leva a que as horas de sono sejam reduzidas. Outros sintomas também podem prejudicar o sono como irritações na pele, eczema de pele, problemas gastrointestinais e dificuldades respiratórias.

A boa notícia é que as mesmas pesquisas apontam que o fato de retirar o leite de vaca da dieta resulta num retorno ao sono normal para a grande maioria desses bebês e na maioria dos casos a alergia resolve entre os 12 e 36 meses de idade. Se há uma suspeita de alergia, é aconselhável retirar o leite de vaca da dieta de 2 a 4 semanas. Isso significa evitar todos os alimentos que contém leite , uma mudança no tipo de leite artificial e, no caso do bebé amamentado com leite materno, a retirada do leite da dieta da mãe. Outros alimentos que podem afetar o sono ou que induzem a insônia por alergia ao alimento são a soja, o trigo , os ovos , as nozes, chocolates, milho, fermento e corantes.

Atualmente a medicina evolui bastante na área das intolerâncias alimentares, no diagnóstico e nas soluções, daí que seja muito mais fácil haver um diagnóstico precoce e poder retirar os alimentos que provocam intolerância o mais cedo possível.

Se um bebé tem tido dificuldades de sono por causa de alergias a alimentos por algum tempo, pode ter adquirido hábitos de sono que não são saudáveis. Neste caso, será importante depois que o problema da alergia ficar resolvido, ajudá-lo a desenvolver hábitos de sono e associações de sono mais saudáveis, o que poderia resultar num sono melhor para toda a família.

Uma das associações saudáveis de sono é: adormecer no mesmo espaço onde se vai manter a dormir. Daí ser importante saber reconfortar o bebé na cama, porque nem sempre o colo resolve tudo, ou pode resolver num momento e logo que se tenta pousar o bebé, volta ao choro aflitivo, como que a querer dizer: “nem penses colocar-me aí, não me enganas!“. Se o bebé conseguir sentir-se bem na cama, vai ajudá-lo a dormir melhor. Se ele considerar que só no colo se sente confortável, vai recusar a cama, como é óbvio.

Envolver o bebé, reduzir o espaço à sua volta, colocar um saquinho aquecido na sua barriguinha, ficar ao lado, contendo os movimentos, oferecendo a chupeta (caso use), colocando as suas mãos em cima do corpinho do bebé, embalando o berço, irá ajudar o bebé a sentir-me melhor na cama. Caso, não se acalme, o colo será sempre um bom lugar para acalmar e tentar pousar o bebé antes de estar realmente a dormir, pois a probabilidade de se aperceber que já não está no colo e acordar é grande. Outras vezes, terá mesmo que dormir no colo e ficar por lá, para que consiga descansar.

Não desista de ensinar a dormir bem e de procurar respostas para o desconforto! 🙂

“A sua filha dorme bem?” A pergunta que, com timidez, muitos me fazem…

É natural que haja curiosidade sobre se o que ando a “pregar” também funciona na minha casa, por isso, a pergunta sobre se a minha filha dorme bem é recorrente. Para quem não sabe, sou mãe de uma princesa de 6 anos e, não vos minto, quando respondo que lá em casa sabemos o que é noites inteiras de sono há muito tempo. Enganam-se se acharem que é fruto da sorte ou que é algo inato e a minha bebé nasceu uma boa dorminhoca. Até aos 2 meses, a minha filha fez-nos ver o sol nascer muitas noites, sem ter “pregado olho”. Desculpava-mos tudo, pensando que esta dificuldade com o sono tinha como causa, apenas e só, as cólicas.

Na altura, eu já tinha lido alguns livros sobre o sono dos bebés, mas uma coisa é a teoria, outra é “pôr a mão na massa”. Um dia enchi-me de coragem (é preciso para querermos mudar), comecei a reler tudo e a colocar em prática. E, não é que em apenas um fim-de-semana, houve mudanças surpreendentes no sono da “piquena”!

Foi uma mudança “Uau” e, finalmente, o pai e a mãe puderam dormir juntos toda a noite, pois já fazíamos turnos, pois o papá precisava de ir trabalhar no dia seguinte. Pudemos finalmente, acalmar a nossa ansiedade, saber em que momentos podíamos namorar, jantar, dormir sem andar num corropio aflitivo, entre adormeceres e despertares.
Claro que não existem receitas universais para todos e é evidente que cada criança é uma criança e que existem muitos factores que influenciam o bom sono na infância, mas garanto-vos que existem soluções para as dificuldades com o sono.

Assim, desde os 2 meses, a minha princesa começou a dormir 6 horas seguidas, foi aumentando as horas de sono contínuo progressivamente até estabilizar, por volta dos 6 meses. Ah! Um pormenor muito importante: não foi por não ser uma criança amamentada que começou a dormir bem. A minha filha foi amamentada, não em exclusivo, pois foi necessário suplemento algumas vezes, até aos 6 meses. A amamentação terminou nessa altura por não ter conseguido conciliar a volta ao trabalho com a amamentação, tendo a produção de leite diminuído drasticamente.

Também é importante dizer que o sono da minha filha continuou a correr bem até agora porque existe uma manutenção constante, ou seja, as estratégias que utilizamos vão sendo adaptadas à sua idade. Passamos por momentos típicos de regressão no sono, principalmente por volta dos 9 meses e dos 18 meses. Mas, quando os bons hábitos estão instalados e os pais sabem como hão de responder a estas fases, é muito mais fácil ultrapassá-las.
Por isso, acredite, se em sua casa ainda não se dorme bem, é possível alterar esse cenário, com coragem, determinação e persistência!

Dia Mundial do Sonho

Hoje, no Dia Mundial do Sonho, gostaria de vos falar um pouco sobre o que se sabe sobre o sonhos e que impacto poderá ter na vida dos mais pequenos.

Os sonhos na nossa vida, aqueles que existem enquanto dormimos, surgem ainda quando estamos na barriga da nossa mãe. “Quando estão nas barrigas das mães, os bebés sonham em 80 por cento do tempo. Quando nascem, têm comportamentos que lhes asseguram a sobrevivência. Temos memórias nos nossos genes, que asseguram a sobrevivência da espécie”, segundo Teresa Paiva, médica neurologista e a que eu considero a maior especialista sobre o sono portuguesa. Sonhar permite-nos resolver problemas ou até entendermos o impacto que alguns acontecimentos têm na nossa vida.

Na infância, principalmente a partir dos 24 meses, a criança começa a ter noção que sonha e, muitas vezes, os seus sonhos representam os seus medos, as suas emoções, as suas frustrações. Esta noção de que existem estes fenómenos oníricos, coincide com a fase das birras, de maior frustração.
É nesta fase, que a criança começa a manifestar estranheza perante a existência dos sonhos, que devemos explicar o que são, o que os diferencia da realidade. Como já disse, noutro artigo, é importante explicar que somos nós, a “nossa cabeça” que cria os sonhos enquanto dormimos. Foi assim que expliquei à minha filha, o que era sonhar e ela passou a contar-me os seus sonhos da seguinte forma: “mãe, eu hoje fiz um sonho… sonhei que…“. Ou seja, a criança pode entender a diferença entre a realidade e sonhar, diminuindo o impacto negativo de alguns sonhos. Se os sonhos forem de temas recorrentes, sempre com um lobo, sempre com uma bruxa, é importante retirar a carga negativa destas personagens, não desvalorizando, mas mostrando como um lobo até pode ser amigo ou a bruxa até pode ser engraçada.

Um dia superestimulante pode implicar mais matéria onírica e implicar, também, mais pesadelos na infância. Os pais devem ajudar a equilibrar os estímulos durante o dia, diminuindo o contacto com ecrãs ou contendo momentos demasiados excitantes, para os quais a criança poderá ainda não estar preparada.
Os pais devem contar que também sonham e o que sonham. Partilhar sonhos, é partilhar o que somos, o que sentimos e o que queremos.
As crianças têm uma grande capacidade para sonhar a dormir e acordados, por isso, cabe-nos a nós, ensinar a sonhar, ensinar a não ter medo de sonhar, a não ter medo de enfrentar os riscos de sonhar e acreditar que tudo é possível! 🙂

Ajude o seu filho a dormir melhor no infantário

Ajude o seu filho a dormir melhor no infantário

Para muitos pais, a entrada na creche/infantário gera uma série de preocupações:
– Vai chorar quando o deixarmos?
– Vão cuidar bem dele?
– Irá comer bem?
– Como irão alimentá-lo, se não aceita o biberão?
– Como irá dormir, se em casa só adormece a mamar ou ao colo?
– Vão deixar chorar para dormir?

Muitos pais procuram-me, antes da entrada no infantário, com todas estas questões e inseguranças normais desta fase. Têm o desejo de alterar em pouco tempo, os hábitos dos filhos para que se possam adaptar melhor.

Infelizmente, os bons hábitos de sono não se estabelecem em poucos dias, muito menos, quando se trata do sono diurno. Contudo, poderão haver mudanças positivas, em pouco tempo, caso os pais saibam o que fazer para que as suas estratégias adotadas sejam semelhantes às que a criança vai encontrar no infantário.
Antes de mais, é muito importante que os pais se informem das rotinas que vão existir no infantário, os horários de alimentação e de sono, bem como o ambiente existente para dormir (luz, escuro, silêncio, música, ruído).
Para que o sono da criança seja adequado durante o dia, é muito importante que tanto a política institucional da creche/infantário seja sensível às necessidades de sono individuais de cada criança, como que exista uma comunicação efectiva com os pais. Não basta comunicar aos pais, quando vão buscar os filhos, que: “esteve tudo bem”, pois esta comunicação não permite aos pais terem conhecimento de informações muito importantes e detalhadas. Caso a instituição não demonstre este empenho, é importante os pais perguntarem, diariamente, como correram as sestas (forma de adormecer, quantidade de sestas, duração das sestas), para que possam adequar o sono em casa (necessidade de mais uma sesta ao final do dia, adequar a hora de deitar à noite e seguir a mesma rotina quando a criança está em casa).

Existem instituições que criaram o livro da criança onde é anotado, diariamente, tudo o que aconteceu durante o dia: como dormiu, como comeu, quantos cocós, quantos xixis, como se comportou. Creio que todos os pais têm o direito de receber esta informação ao pormenor e, infelizmente, isto não acontece em muitas situações.

Então, afinal, como pode ajudar o seu filho a dormir melhor na creche/infantário?
– Comunicar com a educadora/auxiliares o que sabe sobre o sono do seu filho: hábitos de adormecer, horários de adormecer e de acordar, onde costuma dormir e em que ambiente;
– Levar para o infantário a fraldinha, dou dou, bonequinho que estejam associados ao sono;
– Se a criança tem hábitos de sono difíceis de replicar no infantário como: adormecer a mamar, adormecer ao colo, adormecer no carrinho a ser embalado, é importante, que os pais tentem alterar estes hábitos já em casa, umas semanas antes que ingresse no infantário; caso não seja possível, é importante estar em constante comunicação com o infantário para poderem trabalhar em equipa, o adormecer de forma mais autónoma;
– Conhecer os horários praticados no infantário e mantê-los em casa;
– Criar o mesmo ambiente que existe no infantário para dormir durante o dia (ideal é sem luz e sem ruído ou música de embalar);
– Cuidar do sono nocturno, pois a tendência é que quanto menos dorme à noite, menos dorme durante o dia;
– Pedir na creche que a criança não durma as sestas mais longas (após a hora do almoço) numa espreguiçadeira (não é adequado para o desenvolvimento físico do bebé e, por vezes, cria dependência do embalo o que compromete a duração da sesta).

Para poder cuidar das sestas realizadas na creche/infantário, também é essencial que os pais conheçam as necessidades de sono dos seus filhos, consoante a idade e as suas características pessoais, bem como as recomendações existentes. A Sociedade Portuguesa de Pediatria, em 2017, emitiu recomendações sobre as sestas nas creches/infantários públicas ou privadas que consistem em:
– Devem ser proporcionadas as condições adequadas (leito/colchão, ambiente calmo, escuro, com temperatura adequada, limitação de ruído e com vigilância) a todas as crianças em idade pré-escolar a fim de assegurar a qualidade do sono da sesta.
– Cada criança deve ter um plano individual de sesta, acordado com a família.
– A sesta deve ser promovida pela educadora de infância na presença de manifestações de privação de sono ou necessidade de sesta pela criança.
Um dos problemas que mais encontro sobre as sestas na creche está relacionado com a sesta da manhã que, em algumas das instituições, não é considerada como necessária. Desta forma, não é criado o ambiente propício para dormir, tal como é criado após a hora do almoço. Esta sesta de manhã deve existir até, pelo menos, aos 12 meses de idade, tendo a tendência de ir diminuindo de duração. Muitas crianças acabam por não dormir de manhã, não por não terem essa necessidade, mas porque o ambiente é demasiado estimulante para tal.

Outro problema que despoletou a criação das recomendações sobre as sestas, pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, de que vos falei anteriormente e, cujo link para o documento vos deixarei no final do artigo, foi a necessidade da sesta ser facilitada e promovida nas crianças até aos 5/6 anos, o que não se verifica em muitas instituições.

Num modo geral, daquilo que conheço das creches e infantários, existe a preocupação de guiar para dormir da forma mais adequada possível e, os pais devem estar descansados, pois seria impossível deixar chorar uma criança durante muito tempo quando existem outras crianças que estão a dormir ou que podem começar a chorar também. Acredito que com uma comunicação constante e trabalho de equipa, pode-se melhorar bastante as sestas da criança realizadas na creche ou infantário. Até porque, uma grande maioria dorme melhor a sesta na escola do que em casa. Porque será papás? A rotina e o adormecer mais autónomo, está no cerne da resposta, a esta questão.

Como prometido, aqui fica o link para o Documento das Recomendações sobre as sestas nas creches e infantário da Sociedade Portuguesa de Pediatria. E boas sestas! 🙂

Como melhorar o sono da Grávida?

 

Sono da Grávida

 

Gravidez não é doença, mas é um estado especial, como eu costumo dizer. E hoje, no Dia da Grávida, como não poderia deixar de ser, venho-vos falar sobre como a mulher grávida pode melhorar o seu sono, já que muitas vezes existem problemas de sono na gravidez.

Então, quais são os aspectos a cuidar durante a gravidez para promover o bom sono e uma gravidez saudável?

– Ter horários regulares e adequados de sono ajuda a promover um bom sono ajudando o relógio biológico a estimular o adormecimento.

– Haver períodos de exposição solar diariamente, influencia o organismo a sincronizar-se com o ciclo circadiano.

– Beber água de forma ponderada, de forma a reduzir a necessidade de acordar durante a noite para ir ao WC:
A chave consiste em 3 passos básicos:
1. Beber a maior parte da água durante a manhã e primeira parte da tarde;
2. A meio da tarde começam a reduzir o consumo;
3. E, finalmente, uma hora antes de deitar deixam de ingerir líquidos (incluindo sopa).

– Fazer exercício físico regular, principalmente da parte da manhã e nunca de noite, promove um sono saudável.

– A sesta pode ser importante para equilibrar o cansaço na gravidez, se não durar mais que 30 minutos e tenha lugar após a hora do almoço, caso contrário pode influenciar negativamente o sono nocturno.

– Dormir, na maior parte do tempo, para o lado esquerdo porque melhora a circulação por comprimir menos a veia cava; reduz o risco de ronco, refluxo esofágico e dores nas costas; facilita a circulação sanguínea e reduz a sensação de mal-estar provocada pela pressão do útero sobre os vasos sanguíneos principais o que influencia, também, os níveis de oxigénio e nutrientes que chegam ao bebé através da placenta e ajuda igualmente os rins a trabalhar mais eficientemente diminuindo o inchaço (edema) dos tornozelos, pés e mãos provocado pela retenção de líquidos e deficiente circulação sanguínea.

– Cuidar da alimentação para dormir bem: evitar comer doces, gorduras e salgados à noite; os alimentos como chocolate, café, chá ou qualquer outro que contenha cafeína deve ser consumido com moderação e serem evitados a partir da parte da tarde; os alimentos que contém o aminoácido triptofano devem fazer parte de um lanche leve antes de dormir. ( ex: papas de aveia ).

– Evitar contacto com luzes artificiais perto dos olhos provenientes de écrans como telemóveis e tablets 30 minutos antes de dormir, pois estas luzes inibem a produção de melatonina, a hormona do sono.

– Criar um ritual relaxante para dormir, pedindo uma massagem ao companheiro, fazer meditação, evitar ler temas que provoquem ansiedade ou ter alguma actividade estimulante antes de dormir.

Procure dormir bem na gravidez, caso não esteja a ser possível com estas sugestões, procure ajuda profissional, pois o seu descanso é essencial, não só para a gravidez em si, mas também para poder receber o seu bebé da forma mais descansada possível.

Saiba mais sobre a Consulta do Sono para Grávidas aqui.

Setembro – um mês de recomeços e de voltar à rotina!

Regresso às Rotinas

Em tempos de férias, há uma necessidade de fugir às rotinas habituais, não olhar para o relógio, fazer o que nos apetece, aproveitar na rua as noites quentes, bem como todas os eventos próprios do verão que se prolongam pela noite a dentro. Para as crianças, as férias significam muitos mergulhos na piscina, muitas cambalhotas e brincadeiras na areia da praia, contactar com familiares e amigos, deitar tarde por acompanharem os pais em actividades diferentes e, muitas vezes, continuam a acordar cedo para não desaproveitar nenhum momento para mais uma brincadeira. Para as crianças que precisam de dormir a sesta, esta acaba por ser feita em andamento no carro, no carrinho ou nem sequer existe porque a excitação e o ambiente não permitem. São momentos bons e inesquecíveis, estes que nos fazem suspirar e aguardar com ansiedade as próximas férias.

No final das férias, nem sempre nos sentimos mais descansados ou revigorados, principalmente para quem tem filhos pequenos. Para os mais pequenos, o cansaço acumulado é muito e que se reflecte em mais birras e agitação, parecendo que nunca têm sono.

Chega Setembro, este mês que creio que é especial para muitos de nós, apesar de significar o voltar à rotina. É que o mês de Setembro (eu sou suspeita porque é mesmo um mês cheio de significado familiar para mim), ficou marcado nas nossas memórias infantis, como o mês de receber a mochila nova, livros novos, canetas, lápis… Quem não se lembra, tão bem, de ir de mão dada com os pais comprar todas estas coisas e a excitação inerente?! Depois é um mês que simboliza o regresso a novos projectos, novo ano lectivo, reencontrar os amigos e colegas, conhecer novos professores, contar aos amigos todas as aventuras vividas nas férias. Estas memórias marcam para sempre o significado deste mês tão especial, apesar de para os adultos, poder ser um mês exigente, de voltar a criar rotinas, muitas coisas para reorganizar, preparar, preocupações de como correrá o recomeço ou início da escola para os mais pequenos e voltar ao trabalho cheios de saudades das férias.

Para ajudar nesta tarefa de voltar à rotina e para que no começo da escola, as crianças se encontrem descansadas, motivadas, cheias de energia positiva para aprender coisas novas, deixo-lhe aqui algumas sugestões:

* Organize-se de forma, a que cerca de uma semana/duas semanas antes do início da escola, a criança comece a ter novamente algumas rotinas mais semelhantes às que vão ser necessárias a partir do momento que comecem a frequentar a escola (horário de ir para a cama; ritual antes de dormir; guiar para dormir a sesta num ambiente propício e num horário adequado, semelhante àquele que irá existir na escola);
* Diminua as actividades diurnas e saídas tardias;
* Motive o seu filho para ajudar a arrumar os brinquedos, escolher os que já não quer, de forma, a criar um espaço mais tranquilo e arrumado no seu quarto;
* Promova actividades mais tranquilas como pintar, fazer um puzzle, brincar com legos;
* Reduza o ruído em casa, desligando em alguns momentos do dia, principalmente, à noite, a TV, jogos, música alta;
* Promova momentos de meditação com crianças a partir dos 3 anos, procurando que a criança oiça com atenção os ruídos do exterior, pedindo que feche os olhos e lhe diga o que consegue ouvir;
* Estabeleça um horário mais cedo para ir dormir, mas não de uma forma drástica, ou seja, se a criança durante as férias ia para a cama entre as 22h e as 23h, tente começar a deitar pelas 22h, passados 3 dias, pelas 21h45 e assim progressivamente até chegar ao horário adequado para a sua idade. Caso tente alterar o horário de uma forma radical, pode criar um momento de grande tensão e sem resultado.
* Não acenda a Tv ou promova actividades que interessam à criança logo mal ela acorda, principalmente se acordar às 5h/6h da manhã, pois isso irá motivá-la para continuar a acordar cedo.
* Diminua o contacto com os variados écrans: telemóveis, tablets, TV.
* Explique à criança como vai ser a nova rotina quando começar a escola e a importância de se preparar para ela.

Bom Setembro e vamos abraçar o descanso para que nos ajude a recomeçar cheios de energia!

Quartos partilhados

Quartos partilhados

Hoje celebra-se o Dia dos Irmãos! Neste dia especial, lembrei-me de vos falar sobre as crianças que dormem com os seus irmãos. Partilhar o quarto pode ajudar a criar laços mais fortes entre irmãos, permite partilhar mais momentos juntos e até ultrapassar alguns medos. A diferença de idade vai determinar se é viável juntar os irmãos ou não. Juntar duas crianças pequenas com pouca diferença de idade que ainda não dormem bem, pode ser um motivo de maior agitação e interrupções no sono.

Os irmãos mais velhos, quando chega um irmão bebé, podem ter o desejo de partilhar o seu quarto com o bebé. Sugiro que esta partilha só seja realizada quando existir estabilidade no sono do irmão bebé e quando já pouco acorda durante a noite, apesar de muitos irmãos mais velhos costumarem ter a habilidade de não acordar facilmente. Caso, o bebé ainda desperte muitas vezes a chorar é imprudente juntar irmãos, já que o mais velho pode começar a dormir mal e a queixar-se que o mais novo o incomoda. Além de que, quando o bebé não dorme bem, os pais têm a tendência em ir ter com ele ao mínimo sinal que despertou, com medo que acorde o mais velho, influenciando a capacidade do bebé conseguir dormir melhor sozinho.

Quando o irmão mais velho já tem idade para compreender que os pais precisam da sua ajuda para ensinar o bebé a dormir melhor, pode-se conseguir um forte aliado, já que sentem-se em geral, muito orgulhosos por poderem tomar conta dos mais novos. Os pais devem explicar-lhe que o bebé, por vezes chora, quando ainda está a dormir ou que chora porque não sabe dormir e que precisam da sua ajuda para ensiná-lo. Sei de irmãos mais velhos que ajudaram bastante neste processo e que até eram capazes de fazer shhhh quando o bebé despertava durante a noite, ajudando-o a voltar a dormir.

Outros irmãos podem não conseguir ajudar neste processo e, temporariamente, tal como vos disse atrás, mais vale estarem separados enquanto o bebé não conseguir dormir melhor.

Depois existem situações, principalmente no caso dos gémeos, que podemos ter dois irmãos que dormem mal. Neste caso, pode ser complicado ajudá-los, aos dois juntos, a dormir melhor, mas não é impossível. Em casos extremos, em que interferem bastante com o sono um do outro, deve-se ponderar em separar enquanto não estabilizam.

As crianças, a partir dos 2 anos, costumam sentir-se amparadas pelos irmãos mais velhos e a partilha do quarto ajuda a ultrapassar angústias e medos. A leitura da história a partir dos 2 anos, é um bom ritual para toda a família e que requer regras de silêncio, atenção e sossego para proporcionar uma hora de deitar tranquila.

No ritual antes de dormir, é importante que todos participem e que se deitem à mesma hora. Geralmente só é possível deitar mais cedo um deles, quando o primeiro que se deita, ainda não entende que o irmão se vai deitar mais tarde. Conversar antes de dormir, é uma boa prática entre irmãos desde que não se estenda demasiado. Os pais devem estar atentos à conversa, risos e às gargalhadas, impondo os limites. Mas é sempre bom permitir um pouco deste cenário porque é sinal que as crianças se dão bem e são felizes, que estão a desenvolver a sua cumplicidade e não é por mais dez minutos ou menos dez minutos de sono que irão perder qualidade no seu descanso.

Com os bons hábitos de sono ajustados, dormir com o irmão no mesmo quarto é partilhar momentos inesquecíveis e de grande cumplicidade!

Afinal quando é normal dormir a noite inteira?

Sono do BebéA grande questão dos pais sobre o sono, centra-se na questão de que quando será que finalmente poderão dormir uma noite descansada. Há quem diga que nunca mais, pois depois de se ter um filho, mesmo quando ele já deixa os pais dormirem uma noite inteira, a vida nunca mais será a mesma e as preocupações com eles, nunca mais os deixarão dormir descansados. Outros dizem que talvez quando deixar de mamar, outros dizem lá para os 3 anos, outros quando começar a andar e se cansar mais… Outros, ainda, acham que o seu bebé deve dormir a noite inteira quando tiver 4 meses como o bebé da amiga.

Não existe uma resposta muito concreta sobre este tema, tal como à questão de quando o bebé começa a andar, sabemos que é normal que aconteça dentro de um período de tempo, mas não acontece para todos os bebés na mesma idade. Relativamente, ao sono, a grande maioria dos estudos recentes indicam que a maior parte dos bebés de termo e saudáveis, com três meses, é fisiologicamente capaz de dormir várias horas de seguida durante a noite (cerca de 6 horas, pois dá-se a consolidação do sono nocturno) e pelos seis meses não precisam de ser alimentados durante a noite. Contudo, cerca de 25 a 50% dos bebés continuam a acordar durante a noite até aos nove a doze meses.

Quando falamos de um bebé que “dorme a noite inteira”, não queremos dizer que estes bebés não apresentam pequenos despertares próprios da arquitectura do sono (microdespertares), são é capazes de ultrapassá-los sem ajuda e voltar rapidamente a dormir. Com 1 ano, 60 a 70% dos bebés são capazes de se autoconsolarem e readormecer sem chorar.

A grande maioria dos investigadores nesta área defende que o bebé tende a apresentar, progressivamente, períodos de sono mais longos e que aos 6 meses já é, fisiologicamente capaz de dormir, entre 10 a 12 horas seguidas sem comer, desde que esteja a alimentar-se bem durante o dia.
Temos também que ter em conta o número de despertares, para podermos avaliar se é normal estar a acordar determinado número de vezes, com determinada idade. Por exemplo, é natural que um bebé de 5 meses ainda precise de se alimentar durante a noite 1x, mas se acorda e sinaliza cada microdespertar, praticamente de hora em hora ou de 3 em e 3 horas, na maioria das noites e sem estar doente nem desconfortável, possivelmente existe uma perturbação de sono por maus hábitos, por associações relativamente ao adormecer que o bebé não consegue replicar sozinho durante a noite, não conseguindo resolver estes despertares.

Para sabermos avaliar se o nosso bebé pode estar fisiologicamente preparado para dormir mais horas durante a noite, mas ainda não o faz por questões comportamentais, importa avaliar o seguinte:
– Se já foi possível dormir melhor e, entretando regrediu, tendo esta regressão já várias semanas (há regresões normais causadas por momentos de picos de crescimento ou por aquisições motoras e cognitivas que normalmente não duram mais que um mês);
– Conforme se foi desenvolvendo, o bebé não foi espaçando os intervalos para comer durante a noite (muito provavelmente se pede para comer, já não é fome, mas sim um hábito);
– Ainda não aprendeu a adormecer de forma autónoma;
– Se o sono diurno é insuficiente para a idade (pouco sono de dia, pior à noite);
– Se existem rotinas e ambiente desadequadas para dormir.

A maioria dos autores refere que se a criança está num ambiente que reforça cada período de vigília durante a noite ou cada microdespertar porque lhe dão de comer ou porque lhe respondem imediatamente, não se irá esforçar por voltar a adormecer por si. Deste modo, os problemas de autonomia e de independência estão muitas vezes na origem dos problemas de sono. Embora na nossa sociedade haja muita pressão no sentido de uma mãe ou um pai se sentirem culpados por irem pegar no filho ao colo demasiadas vezes ou durante demasiado tempo, eles não se sentem capazes de forçar um bebé pequeno que chora toda a noite a procurar os seus padrões de autoconforto. É natural que queiram chegar-se ao bebé e deixar que este se chegue a eles, pois a maioria dos pais deseja secretamente o conforto quente, cheiroso e amoroso de sentir o bebé a dormir junto a eles. É um misto de sentimentos, entre a necessidade de dormir e a dificuldade em gerir os protestos do bebé, no sentido da sua autonomia e auto-consolo.

O meu papel é ajudar a gerir este misto de sentimentos e ajudar os pais a encontrarem formas, o mais suaves possíveis, para ajudar os seus bebés a dormirem melhor.

Bibliografia consultada:
O Grande Livro da Criança, o desenvolvimento emocional e do comportamento durante os primeiros anos” – T. Berry Brazelton, Editorial Presença.
Centro Medicina do Sono” – Teresa Paiva e Thomas Penzel. Editora Lidel.
Pediatric Sleep, Diagnosis and Management of sleep problems”- Jodi A. Mindell e Judith A. Owens. Editora Wolters Kluwer.

Habituamo-nos a dormir mal e a “empurrar o cansaço com a barriga”!

Dia Mundial da Saúde

Hoje é o Dia Mundial da Saúde! No Dia Mundial da Saúde, gostaria de ter uma conversa séria consigo.
Sim, consigo. Consigo, que dorme mal/pouco porque não consegue dormir bem ou porque desvaloriza o sono em detrimento de outras actividades ou porque não o deixam dormir e não faz nada para melhorar a situação!
Poderia enumerar inúmeros estudos científicos sobre a importância do sono na nossa vida, mas esta informação não o leva a lado nenhum, enquanto não decidir com convicção que pode mudar a sua vida, se dormir melhor. Será que ainda não se apercebeu como dormir mal pode estar a arruinar a sua vida? Quer continuar a simular que é um super-herói/super-heroína que não precisa de dormir, que há sempre outros valores importantes que se levantam?!

Como é evidente, há momentos da nossa vida que poderá ser mais difícil ter um sono com qualidade: quando há filhos pequenos, quando estamos doentes, preocupados… Agora não pode permitir que estes momentos se arrastem meses a fio, anos a fio. Está nas suas mãos procurar ajuda e querer mesmo mudar alguma coisa na sua vida. Queixar-se apenas, sem acreditar que pode dormir melhor, não o levará a lado nenhum.
Dormir mal pode mesmo tornar-se num mau hábito e depois há quem diga: não preciso de dormir mais que dois pares de horas para estar bem. Será mesmo assim? Não será que o seu corpo está a tentar adaptar-se constantemente há falta de horas de sono e você nem nota? Existe um nível de cansaço em que já não notamos que estamos cansados porque já não nos lembramos como é não nos sentirmos cansados. Por vezes, os sinais não são logo evidentes ou nós ignoramos os pequenos sinais, até um dia haver um esgotamento, uma depressão, ataques de pânico, hipertensão, obesidade, um acidente de carro…
O sono é uma necessidade humana (não é um privilégio de alguns), que deve ser respeitada. Embora esta necessidade tenha sido uma constante ao longo da história humana, a nossa relação com o sono passou por altos e baixos. E, neste momento, essa relação está em crise.
Temos vários paradoxos actualmente, por um lado os avanços na tecnologia permite-nos saber mais sobre o que acontece enquanto dormimos, mas também é a tecnologia que está a comprometer, muitas vezes, a nossa relação saudável com o sono; temos uma ilusão colectiva de que o excesso de trabalho e o esgotamento são o preço que temos de pagar para termos sucesso, esquecendo-nos que quem trabalha num estado de exaustão dificilmente poderá manter o sucesso ou manter um trabalho com qualidade. No caso das famílias com filhos pequenos (alguns já são adolescentes), há a crença que dormir o suficiente significa tirar algo aos filhos – tempo passado com eles ou, simplesmente, tempo passado a preparar tudo para o dia seguinte, mas na realidade estes pais estão a roubar a si próprios a capacidade de estar verdadeiramente com os filhos. Temos a ideia, principalmente quem é mãe, que ser mãe significa nunca mais dormir bem, até costumo ouvir: “quando tiver 18 anos, logo dorme”. Será que pensar assim, nos ajuda como pais, a sermos melhores pais? Ajudar os mais pequenos a dormir bem, não é um acto de egoísmo por parte dos pais, mas sim uma prova de amor. Porque sim, eles precisam MUITO de dormir bem, para crescerem saudáveis, fisicamente e emocionalmente e nós, para além de todos os motivos mencionados anteriormente, para podermos estar verdadeiramente presentes e conectados a eles!
Durma bem, cuide da sua saúde!

Porque a hora de adormecer é tão importante?

Porque a hora de dormir é tão importante?

Vivemos numa época de muito stresse, vivemos a um ritmo aceleradíssimo, sem tempo para não fazer nada, sem tempo para dedicarmos atenção ao nosso organismo e às suas necessidades. E os nossos filhos acabam por viver, inevitavelmente, também a um ritmo acelerado, acompanhando-nos no nosso dia-a-dia, saem tarde da escola, ATL, depois de muitas horas fora de casa, chegam a casa, e pouco tempo existe para as tarefas restantes: banho, jantar, estar um pouco com os pais e ir dormir. Estas poucas horas que passam em casa com os pais, ao final do dia, muitas vezes não são vividas com tranquilidade e qualidade. Já parou para pensar que mal observa com atenção o seu filho, que anda em piloto automático, num contra-relógio entre as tarefas da casa e os cuidados básicos às crianças? E tempo para ouvir música com eles, olhando nos seus olhinhos com atenção, conhecendo-os melhor? E tempo para brincar com eles, de forma presente sem estar a pensar no que tem que fazer no dia seguinte ou que ainda tem que colocar a máquina a lavar? E tempo para ler a história todas as noites com prazer, com miminho? O turbilhão que, por vezes, pode haver na nossa mente de pais, com mil pensamentos ao mesmo tempo, o nosso cansaço, reflecte-se muito no comportamento deles e, também na forma como percepcionam o mundo. Assim, eles também não conseguem desligar, não conseguem relaxar, emitam-nos inconscientemente na nossa agitação e intranquilidade.
Se para nós pais, o sono for importante, cuidarmos dele e o respeitarmos, é mais fácil que os nossos filhos tenham o mesmo comportamento. O sono necessita de rituais, de pormenores, de uma preparação. Tal como tem que preparar a refeição para a poder comer, dormir também precisa de uma preparação adequada.
O estado emocional e físico na hora de adormecer é influenciado pelo nosso dia e pelos momentos antes de irmos dormir. Desta forma, temos que nos preocupar com o sono desde que acordamos, porque ele vai ser influenciado por tudo o que acontece no nosso dia-a-dia (alimentação, stress, exercício físico). No caso das crianças, posso resumir os factores que mais influenciam o seu estado emocional e físico na hora de adormecer:
– Caso ainda tenham idade para dormir a(s) sesta(as) e se tiverem tido oportunidade de o fazer de forma adequada para a idade, será mais fácil que adormeçam de forma mais tranquila;
– Se o dia foi preenchido por bons estímulos adequados à idade(brincar, saltar, actividades que permitam sorrir, interagir com o outro), se não foi um dia preenchido por stress, birras também é mais fácil que adormecer e dormir sejam mais tranquilos;
– Logo após o jantar, todo o ambiente, actividade devem ser adequados para proporcionar um bom momento para adormecer, por isso, desligue TV, não permita contacto com telemóveis, tablets, nem actividade física vigorosa, coloque uma musica tranquila, deixe de lado o que tem para fazer e dedique-se a criar um momento de interacção positivo e calmo com o seu filho: para os bebés, um banho relaxante; para as crianças a partir dos 18 meses, ler uma história; para crianças a partir dos 3 anos, fazer um puzzle, brincar com algo que permita estar sentado, que não estimule demasiado a criança e depois ler a história. Acima de tudo, proporcione estes momentos com uma boa energia, não porque tem que ser e seja firme no respeito do que é permitido ou não nesta hora.
– Uma hora de dormir que é sentida como um momento de separação, de insegurança e em que a criança sente que ainda não preencheu a sua necessidade de estar com os pais, pode prejudicar bastante toda a noite que se segue.

Um dos factores que é extremamente importante para um bom sono, é todo o ambiente/situação em que a criança adormece. Nós, humanos, temos a necessidade de controlar o que acontece enquanto dormimos, não podemos permitir que fiquemos em perigo enquanto estamos a dormir, por isso avaliamos algumas vezes se tudo se mantém igual desde que adormecemos. Os bebés podem fazer esta avaliação, que coincide nos momentos de microdespertar, de hora em hora e despertarem efectivamente, tendo mais dificultade em voltar a dormir, caso algo se tenha alterado. Por isso, vou-lhe passar uma informação muito valiosa:

Os bebés e crianças dormem melhor se adormecerem na situação mais idêntica a que se vão manter a dormir.

Se eu adormecer de mão dada com alguém, se eu adormecer com luz acesa, se eu adormecer a ser embalada, se eu adormecer com música a tocar, se eu adormecer quentinha, se eu adormecer a mexer no cabelo de alguém, se eu adormecer no sofá e…. entretanto… aperceber-me que já não tenho nenhuma mão na minha, se a luz se tiver apagado, se já não estiver a ser embalada, se a música já não estiver ligada, se ficar destapada, já não encontrar o cabelo em que mexia, se acordar na minha cama sem saber como lá fui parar… eu juro que me assustaria e MUITO!
Daí que uma das tarefas importantes para ajudar a dormir melhor, é aproximarmos (por vezes, temos que ir bem devagarinho, quando as crianças dependem de algo exterior que não controlam para adormecer) de uma situação em que a criança consegue adormecer e manter-se a dormir, sem nada se alterar no seu envolvente ou naquilo que precisa para adormecer. Se a criança precisa de si pai e mãe para adormecer, é bem provável que volte a precisar sempre que sentir a vossa falta.

Bons soninhos! 🙂

“Levaste a bebé à psicóloga, deves estar maluca!”

Consulta do Sono

Há muito tempo que oiço desabafos dos pais sobre aquilo que a família e amigos dizem quando lhes contam que vieram à consulta do sono. As frases que ouvem são deste género: “é normal que não durma, é um bebé!“, levaste a bebé à psicóloga, deves estar maluca!“, “tu é que precisas de ir à psicóloga, porque ter um bebé é assim…“.

Eu sorrio e respondo que é normal haver este tipo de pensamento, porque até há muito pouco tempo não havia consultas do sono para bebés e crianças, não havia resposta para este tipo de problema e que ainda existe muito preconceito relativamente a consultar um profissional formado em psicologia. Os psicólogos não tratam só os chamados “malucos”, trabalham em várias áreas e especializam-se em várias áreas relacionadas com o comportamento. Sabemos hoje que a causa de muitas perturbações do sono ou problemas do sono derivam de causas comportamentais e não fisiológicas, principalmente na infância. Cuidar do sono dos mais pequenos, não é forçar num sentido que seja contra-natura, pois é verdade que os bebés podem precisar de despertar durante a noite e receberem uma resposta dos pais em algumas situações. É sim, adequar o ambiente, as respostas dos pais/cuidadores, os horários, rituais de sono às necessidades do bebé em cada fase do seu desenvolvimento. Existem pequenos pormenores, como a existência de luz ou não, que podem fazer toda a diferença no sono. É esta informação que passo aos pais e é através de informação com base científica, tendo em conta todos os aspectos essenciais para um bom desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, que são desenhados os planos de acção para melhorar o sono.

Apesar de ainda haver um longo caminho a trilhar sobre estas crenças que não valorizam o sono dos mais pequenos e consideram que o bom sono nasce com eles, não podendo ser melhorado ou que se tem que esperar que cresça ou por um milagre, fico muito contente pela crescente procura da minha ajuda nos últimos 5 anos. Tenho muita esperança em ser possível mudar estas crenças e os pais que já foram acompanhados na consulta, têm sido fortes aliados neste sentido. Sofrem com estes comentários, mas a sua maioria não se deixa enfraquecer, pois os resultados da sua confiança em todo o processo, são visíveis. Obrigada pela confiança, obrigada pela vossa perseverança, obrigada pelo vosso amor incondicional pelos vossos filhotes, obrigada por quererem fazer sempre melhor!

Se eu fosse vós, também estaria confusa!

© Psicóloga Teresa Sousa

Sou mãe há 5 anos e já houve tanta coisa que me fez parar para reflectir sobre a educação da minha filha. Erro todos os dias e aprendo todos os dias. Cresço diariamente como mãe e é obrigatório ter esta capacidade porque eles não param de crescer e nós temos que nos adaptar constantemente. Não sentem o mesmo?
Quando há algumas situações que não sei como resolver, procuro respostas porque tenho uma faceta de inconformista, acredito sempre que se pode melhorar.
Tenho um acesso privilegiado à informação, pois devido à minha formação tenho uma biblioteca vasta e actual, bem como sei onde devo procurá-la (pelo menos, na maior parte das vezes). Se, para mim, mesmo sendo formada em Psicologia e com várias formações pós-licenciatura, por vezes é difícil filtrar informação e escolher a que mais me faz sentido, imagino que não seja nada fácil para os pais que são “bombardeados” com artigos sobre o que é correcto e o que é incorrecto na educação e desenvolvimento das crianças, frequentemente através de vários meios, se sintam confusos com tanta informação contraditória.

Na área do sono infantil, a que me dedico, mesmo entre especialistas do campo comportamental (trabalham sobre o comportamento e não medicam), não há consenso sobre vários aspectos. Há estudos que demonstram que de determinada forma é que está bem, outros demonstram completamente o contrário, o que provoca quase uma clivagem entre modelos de intervenção e um desacordo entre profissionais. A área comportamental não é como a matemática em que “2+2 são 4” e não há dúvidas sobre isso.
Depois, infelizmente, há muita gente sem formação base na área comportamental que se intrometeu nela e que até se autointitula “especialista” ou até “fada dos bebés”. Não existem fadas. Fadas são as mães e os pais! Esses sim são os heróis que se dedicam 24 horas a estes seres incríveis que são as crianças!
Quando trabalhamos com pais e crianças, creio que a maior virtude não é ter razão, mas sim ter humildade, saber escutar, sem julgamento, sem receitas universais!
Mas voltando ao título deste post: no vosso lugar, estaria muito confusa! Afinal pode-se ou não ajudar a dormir melhor? Afinal estas estratégias que vendem por aí, só passam de tretas? Será que isto de dormir bem, não é próprio de cada criança e não há nada que possamos fazer, apenas esperar que cresça? Um diz: dá colo para dormir, nunca negues colo, senão és má mãe! Outro diz, coloca a dormir na cama dele, a culpa de não dormir, é tua! Dorme com ele que passa a dormir bem! Não podem dormir com o bebé, assim nunca vai dormir bem! Ui dizem-se tantas coisas que percebo que dê vontade de fazer ouvidos moucos a tudo!
Tenho as minhas teorias sim, não só com base no que estudei, mas também tendo por base a minha experiência profissional e, não menos importante, experiência de mãe. Mas as teorias que utilizo não são rígidas, dependem muito da criança e dos pais que tenho à minha frente. Acima de tudo, procuro ajudar e não impor formas de fazer.
Penso que no meio disto tudo, o mais importante é ouvirmos o que vai cá dentro, aquela voz que nos diz se está tudo bem, que é uma fase, ou isto não está bem, eu não estou bem, o meu bebé não está bem, a minha relação de casal está a sofrer com a privação de sono, sou pior pai e mãe desta forma cansada e sem paciência. Se ouvirmos o nosso interior com atenção, vamos encontrar respostas e vamos perceber se devemos procurar ajuda ou não. Pedir ajuda não é fracassar ou mostrar que somos maus pais, pelo contrário, é querer ser melhor!

Quando e como fazer a transição do berço de grades para a cama?

Do Berço para a Cama de Grades

Quando e como fazer a transição do berço de grades para a cama?
Esta é uma questão que também muitos pais me colocam e que, por vezes, é vista como uma solução para as más noites de sono. Será mesmo assim?

1 – Será a altura certa?
A expectativa de que a mudança do berço de grades para a cama irá melhorar o sono dos mais pequenos, pode sair frustrada. Este tipo de mudança pode levar a maior agitação, insegurança e mais despertares durante a noite, pois na cama não há limites tão definidos como no berço de grades e a criança, como naturalmente se movimenta muito durante o sono, pode “perder-se” na cama e despertar. Além disso, caso a criança ainda não tenha a capacidade de adormecer de uma forma mais autónoma, irá permitir que saia da cama mais facilmente em busca de outra forma de adormecer ou de mais uma actividade para resistir a adormecer, dificultando todo o processo de adormecimento.
Contudo, quando a criança nunca se habituou a dormir no berço de grades, está habituada a dormir numa cama sem grades e já domina a capacidade de andar, uma boa solução será colocar o colchão do berço no chão, criando barreiras baixas, à sua volta, de forma que não caia do colchão (modelo Montessoriano).

2 – Qual é a idade mais adequada para esta mudança?
Eu recomendo a mudança para uma cama maior, entre os 2 anos e meio e os 3 anos da criança. Antes desta idade, esta mudança tem que ser ponderada caso o berço deixar de ser seguro, se a criança tente sair e possa cair. Nesta faixa etária, a criança pode participar com maior entendimento nesta mudança, aceitar as regras – “só sais da cama, à noite, se precisares de fazer xixi; se precisares da mamã ou do papá, chamas antes de sair da cama, pois podes magoar-te” e sentirá que ganhou um prémio, uma cama maior, mais liberdade, mas que também tem que assumir mais responsabilidade, na gestão de ter ganho maior autonomia.

3 – Preparar e comunicar
É muito importante que seja abordada esta mudança com a criança e que ela faça parte de todo o processo de compra da cama, lençóis novos, que bonecos colocar na cama, onde colocar a cama. Faça com que a criança se divirta com esta mudança e ao mesmo tempo explique as regras de dormir: como deve adormecer, se despertar, o que deve fazer, quais são as regras desta transição.

4- Qual é a cama ideal para uma criança?
A cama ideal para uma criança, não é uma cama de casal, tanto pelo excesso de espaço, que como expliquei anteriormente, pode levar a que a criança desperte mais vezes, por se perder na cama. Já existem no mercado camas que vão aumentando de comprimento, conforme o crescimento da criança, o que pode ser uma boa opção. Senão, aconselho que mesmo numa cama mais pequena, de solteiro, coloque alguma coisa aos pés da criança que lhe permita sentir onde está o limite, aumentando o sentimento de segurança.

5 – Mantenha a segurança na cama
Escolha bem as barreiras a colocar na cama e que se ajustem bem a ela. Eu tive uma má experiência com umas que ficavam presas com um género de pinças. Ao meio da noite, a minha filha caiu e com ela a barreira. Felizmente, não se magoou e nem acordou! Mas, nós pais ouvimos o estrondo e ficámos muito assustados, mais ainda quando a vimos no chão. Se vive numa casa com escadas, deve colocar alguma barreira que não permita a criança sair do quarto sozinha, ao meio da noite.

Bons soninhos!

Vamos começar o ano com uma boa higiene do sono?

Higiene do Sono

Vamos começar o ano com uma boa higiene do sono? Aqui ficam algumas sugestões para pais & filhos!

Primeiro há que explicar o que é isto de higiene do sono!
A higiene do sono refere-se ao estabelecimento e manutenção de condições adequadas a um sono saudável. Este conjunto de condições devem-se iniciar nos primeiros meses de vida, ajudando a prevenir o desenvolvimento de problemas de sono e devem ser ajustadas consoante a idade, apesar de existirem algumas delas que são regras fundamentais para todos nós. Uma adequada higiene do sono inclui três aspectos: ambiente, horário e actividades anteriores ao sono.

Então, vamos imaginar, o cenário ideal de sono:
– Quarto com temperatura amena, arrumado, com cores suaves, sem demasiados objectos;
– Ambiente escurecido (muito importante apagar todas as luzes e luzes de presença), silêncio ou ruídos brancos, no caso dos recém-nascidos;
– Cama confortável, para os bebés e crianças pequenas não deverá ser muito maior que a criança, pois sentir os limites, proporciona-lhes o sentimento de segurança;
– Na cama não devem estar objectos soltos até cerca dos 6 meses de idade e, posteriormente, apenas um objecto pequeno que não se possa enrolar no bebé, como um dou dou (um paninho com uma cabecinha em forma de boneco), por volta dos 18 meses pode-se introduzir um boneco como objecto de conforto;
– Mobiles, projectores de luzes, TV (nem deve existir no quarto de dormir) desligados.

Qual é a rotina que deve anteceder o momento de dormir?
– Evitar actividades físicas vigorosas antes de dormir e histórias que possam atemorizar;
– Não manter contacto com ecrãs (televisão, telemóvel, tablet ou consola de jogos) antes de adormecer;
– Rotina consistente, que se repete de igual forma todas as noites (exemplo: banho, jantar, escovar os dentes, fazer xixi, hora da história, apagar a luz, dormir);
– Deitar a criança ainda acordada;
– Evitar adormecer em local que não a própria cama (também para os pais).

Relativamente aos horários:
– O horário de ir dormir à noite deve ser adequado à idade, contudo o intervalo ideal é entre as 20h e as 22h.
– Os horários de dormir e acordar devem ser consistentes e regulares, mesmo ao fim-de-semana, com uma diferença máxima de 30 minutos.
– Os horários de sesta durante o dia devem ser adequados para a idade, e sempre regulares e consistentes.

Todas estas regras exigem trabalho, disciplina, empenho para as manter, mas no final o saldo é sempre muito positivo, principalmente porque são os hábitos ganhos na infância que vão influenciar o sono na vida adulta. A infância é “O” momento para educar para um bom sono!

Bons soninhos!