Habituamo-nos a dormir mal e a “empurrar o cansaço com a barriga”!

Dia Mundial da Saúde

Hoje é o Dia Mundial da Saúde! No Dia Mundial da Saúde, gostaria de ter uma conversa séria consigo.
Sim, consigo. Consigo, que dorme mal/pouco porque não consegue dormir bem ou porque desvaloriza o sono em detrimento de outras actividades ou porque não o deixam dormir e não faz nada para melhorar a situação!
Poderia enumerar inúmeros estudos científicos sobre a importância do sono na nossa vida, mas esta informação não o leva a lado nenhum, enquanto não decidir com convicção que pode mudar a sua vida, se dormir melhor. Será que ainda não se apercebeu como dormir mal pode estar a arruinar a sua vida? Quer continuar a simular que é um super-herói/super-heroína que não precisa de dormir, que há sempre outros valores importantes que se levantam?!

Como é evidente, há momentos da nossa vida que poderá ser mais difícil ter um sono com qualidade: quando há filhos pequenos, quando estamos doentes, preocupados… Agora não pode permitir que estes momentos se arrastem meses a fio, anos a fio. Está nas suas mãos procurar ajuda e querer mesmo mudar alguma coisa na sua vida. Queixar-se apenas, sem acreditar que pode dormir melhor, não o levará a lado nenhum.
Dormir mal pode mesmo tornar-se num mau hábito e depois há quem diga: não preciso de dormir mais que dois pares de horas para estar bem. Será mesmo assim? Não será que o seu corpo está a tentar adaptar-se constantemente há falta de horas de sono e você nem nota? Existe um nível de cansaço em que já não notamos que estamos cansados porque já não nos lembramos como é não nos sentirmos cansados. Por vezes, os sinais não são logo evidentes ou nós ignoramos os pequenos sinais, até um dia haver um esgotamento, uma depressão, ataques de pânico, hipertensão, obesidade, um acidente de carro…
O sono é uma necessidade humana (não é um privilégio de alguns), que deve ser respeitada. Embora esta necessidade tenha sido uma constante ao longo da história humana, a nossa relação com o sono passou por altos e baixos. E, neste momento, essa relação está em crise.
Temos vários paradoxos actualmente, por um lado os avanços na tecnologia permite-nos saber mais sobre o que acontece enquanto dormimos, mas também é a tecnologia que está a comprometer, muitas vezes, a nossa relação saudável com o sono; temos uma ilusão colectiva de que o excesso de trabalho e o esgotamento são o preço que temos de pagar para termos sucesso, esquecendo-nos que quem trabalha num estado de exaustão dificilmente poderá manter o sucesso ou manter um trabalho com qualidade. No caso das famílias com filhos pequenos (alguns já são adolescentes), há a crença que dormir o suficiente significa tirar algo aos filhos – tempo passado com eles ou, simplesmente, tempo passado a preparar tudo para o dia seguinte, mas na realidade estes pais estão a roubar a si próprios a capacidade de estar verdadeiramente com os filhos. Temos a ideia, principalmente quem é mãe, que ser mãe significa nunca mais dormir bem, até costumo ouvir: “quando tiver 18 anos, logo dorme”. Será que pensar assim, nos ajuda como pais, a sermos melhores pais? Ajudar os mais pequenos a dormir bem, não é um acto de egoísmo por parte dos pais, mas sim uma prova de amor. Porque sim, eles precisam MUITO de dormir bem, para crescerem saudáveis, fisicamente e emocionalmente e nós, para além de todos os motivos mencionados anteriormente, para podermos estar verdadeiramente presentes e conectados a eles!
Durma bem, cuide da sua saúde!