Ajude o seu filho a dormir melhor no infantário

Ajude o seu filho a dormir melhor no infantário

Para muitos pais, a entrada na creche/infantário gera uma série de preocupações:
– Vai chorar quando o deixarmos?
– Vão cuidar bem dele?
– Irá comer bem?
– Como irão alimentá-lo, se não aceita o biberão?
– Como irá dormir, se em casa só adormece a mamar ou ao colo?
– Vão deixar chorar para dormir?

Muitos pais procuram-me, antes da entrada no infantário, com todas estas questões e inseguranças normais desta fase. Têm o desejo de alterar em pouco tempo, os hábitos dos filhos para que se possam adaptar melhor.

Infelizmente, os bons hábitos de sono não se estabelecem em poucos dias, muito menos, quando se trata do sono diurno. Contudo, poderão haver mudanças positivas, em pouco tempo, caso os pais saibam o que fazer para que as suas estratégias adotadas sejam semelhantes às que a criança vai encontrar no infantário.
Antes de mais, é muito importante que os pais se informem das rotinas que vão existir no infantário, os horários de alimentação e de sono, bem como o ambiente existente para dormir (luz, escuro, silêncio, música, ruído).
Para que o sono da criança seja adequado durante o dia, é muito importante que tanto a política institucional da creche/infantário seja sensível às necessidades de sono individuais de cada criança, como que exista uma comunicação efectiva com os pais. Não basta comunicar aos pais, quando vão buscar os filhos, que: “esteve tudo bem”, pois esta comunicação não permite aos pais terem conhecimento de informações muito importantes e detalhadas. Caso a instituição não demonstre este empenho, é importante os pais perguntarem, diariamente, como correram as sestas (forma de adormecer, quantidade de sestas, duração das sestas), para que possam adequar o sono em casa (necessidade de mais uma sesta ao final do dia, adequar a hora de deitar à noite e seguir a mesma rotina quando a criança está em casa).

Existem instituições que criaram o livro da criança onde é anotado, diariamente, tudo o que aconteceu durante o dia: como dormiu, como comeu, quantos cocós, quantos xixis, como se comportou. Creio que todos os pais têm o direito de receber esta informação ao pormenor e, infelizmente, isto não acontece em muitas situações.

Então, afinal, como pode ajudar o seu filho a dormir melhor na creche/infantário?
– Comunicar com a educadora/auxiliares o que sabe sobre o sono do seu filho: hábitos de adormecer, horários de adormecer e de acordar, onde costuma dormir e em que ambiente;
– Levar para o infantário a fraldinha, dou dou, bonequinho que estejam associados ao sono;
– Se a criança tem hábitos de sono difíceis de replicar no infantário como: adormecer a mamar, adormecer ao colo, adormecer no carrinho a ser embalado, é importante, que os pais tentem alterar estes hábitos já em casa, umas semanas antes que ingresse no infantário; caso não seja possível, é importante estar em constante comunicação com o infantário para poderem trabalhar em equipa, o adormecer de forma mais autónoma;
– Conhecer os horários praticados no infantário e mantê-los em casa;
– Criar o mesmo ambiente que existe no infantário para dormir durante o dia (ideal é sem luz e sem ruído ou música de embalar);
– Cuidar do sono nocturno, pois a tendência é que quanto menos dorme à noite, menos dorme durante o dia;
– Pedir na creche que a criança não durma as sestas mais longas (após a hora do almoço) numa espreguiçadeira (não é adequado para o desenvolvimento físico do bebé e, por vezes, cria dependência do embalo o que compromete a duração da sesta).

Para poder cuidar das sestas realizadas na creche/infantário, também é essencial que os pais conheçam as necessidades de sono dos seus filhos, consoante a idade e as suas características pessoais, bem como as recomendações existentes. A Sociedade Portuguesa de Pediatria, em 2017, emitiu recomendações sobre as sestas nas creches/infantários públicas ou privadas que consistem em:
– Devem ser proporcionadas as condições adequadas (leito/colchão, ambiente calmo, escuro, com temperatura adequada, limitação de ruído e com vigilância) a todas as crianças em idade pré-escolar a fim de assegurar a qualidade do sono da sesta.
– Cada criança deve ter um plano individual de sesta, acordado com a família.
– A sesta deve ser promovida pela educadora de infância na presença de manifestações de privação de sono ou necessidade de sesta pela criança.
Um dos problemas que mais encontro sobre as sestas na creche está relacionado com a sesta da manhã que, em algumas das instituições, não é considerada como necessária. Desta forma, não é criado o ambiente propício para dormir, tal como é criado após a hora do almoço. Esta sesta de manhã deve existir até, pelo menos, aos 12 meses de idade, tendo a tendência de ir diminuindo de duração. Muitas crianças acabam por não dormir de manhã, não por não terem essa necessidade, mas porque o ambiente é demasiado estimulante para tal.

Outro problema que despoletou a criação das recomendações sobre as sestas, pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, de que vos falei anteriormente e, cujo link para o documento vos deixarei no final do artigo, foi a necessidade da sesta ser facilitada e promovida nas crianças até aos 5/6 anos, o que não se verifica em muitas instituições.

Num modo geral, daquilo que conheço das creches e infantários, existe a preocupação de guiar para dormir da forma mais adequada possível e, os pais devem estar descansados, pois seria impossível deixar chorar uma criança durante muito tempo quando existem outras crianças que estão a dormir ou que podem começar a chorar também. Acredito que com uma comunicação constante e trabalho de equipa, pode-se melhorar bastante as sestas da criança realizadas na creche ou infantário. Até porque, uma grande maioria dorme melhor a sesta na escola do que em casa. Porque será papás? A rotina e o adormecer mais autónomo, está no cerne da resposta, a esta questão.

Como prometido, aqui fica o link para o Documento das Recomendações sobre as sestas nas creches e infantário da Sociedade Portuguesa de Pediatria. E boas sestas! 🙂

Como ajudar o seu filho a dormir nas férias do Natal?

Como ajudar o seu filho a dormir nas férias do Natal

Muitos pais, nesta época de festas, viagens, visitas da famílias, almoçaradas, jantaradas, excitação para as crianças, questionam-me como manter o bom sono finalmente alcançado ou como não perturbar totalmente o sono dos mais pequenos.

É evidente que será mais difícil manter a rotina normal de sono durante a azáfama das festas, contudo ao tentar proporcionar o melhor descanso para as crianças, vai permitir que estas aproveitem estes momentos da melhor forma, evitando birras constantes. Creio que com algumas estratégias, é possível passar momentos inesquecíveis e de diversão em família e com os amigos, a par de proporcionar o descanso necessário às crianças:

1- Não é obrigatório, por alguns dias, ser prisioneiro da rotina.
Se os nossos filhos já têm uma rotina estável e dormem bem há algum tempo, não tendo problemas prévios de sono, podemos permitir que a brincadeira antes de dormir se estenda um pouco mais. Quando, na maior parte das vezes, estamos a atingir as necessidades básicas do sono, as sestas ocasionais perdidas ou a hora de dormir podem não afectar muito os nossos pequeninos. Assim, se algumas semanas antes das férias o sono é uma prioridade, será mais fácil para a criança lidar com menos horas de sono durante as festas.
Para as crianças que recentemente estão a modificar padrões de sono e estão a aprender a dormir melhor, é muito importante manter rotinas, senão não se pode esperar progressos ou até podem existir retrocessos, caso a rotina e o plano de melhoria de sono não for respeitado. Não se deve iniciar processos de melhoria do comportamento face ao sono em alturas que não é possível manter a consistência. Quando for possível manter rotinas, o melhor ambiente de sono e as estratégias definidas, voltam as mãos à obra!

2- Levar objectos/reproduzir ambiente familiar do sono
Quando fizer a mala de viagem ou a mochila para estar algum tempo fora de casa, não se esqueça de levar os objectos que fazem parte da rotina de sono do seu filho, como bonecos, dou dous, chupeta, livros, músicas, saco cama, almofada… Assim tanto para fazer uma sesta ou para dormir à noite fora de casa, a criança se sentirá mais confortável e conseguirá mais facilmente dormir bem.
Pratique a rotina de ir para a cama de forma consistente, reproduzindo-a onde quer que esteja e sempre que puder, tanto nas sestas como à noite. Se em casa, costuma ler sempre a mesma história antes de dormir, leve consigo essa história e reproduza a mesma rotina tal como em casa. Ao guiar a criança para a mesma sequência de eventos antes de dormir, vai permitir à criança maior sentido de conforto e segurança, preparando-a para dormir onde quer que esteja. Ah, nos hotéis não costuma ser fácil manter o escuro tal como em casa, pois não costumam existir persianas, o que pode provocar um despertar mais cedo. Como evitar que isto aconteça? Pode colocar a cama da criança o mais longe possível da entrada de luz, pode colocar uma cadeira contra o cortinado nas laterais, de forma a evitar que entre tanta luz ou pode motivá-la a usar uma venda para dormir (existem umas muito giras com desenhos).

3- Evite sobreestimular os bebés com demasiados estímulos e actividades.
Bebés demasiado cansados vão ter mais dificuldade em adormecer e podem ter mais despertares à noite, por isso não planeei actividades demais. Tente proporcionar vários momentos de descanso, mesmo em movimento no carrinho, no carro…
Tente respeitar os horários de dormir à noite e durante o dia. Se o bebé dormir bem no carrinho por exemplo, não há problema em fazer algumas sestas na rua enquanto todos passeiam, mas cuidado para não exagerar e fazer todas as sestas na rua, porque se o bebé não descansar o suficiente e dormir em lugares muito agitados, a qualidade de sono não será a mesma! No final, a noite pode ser difícil!

4- Evitar demasiadas birras com demasiada descarga emocional.
Há crianças que facilmente ficam muito cansadas. Esteja atento ao comportamento da criança, ao excesso de excitação, birras que pode indicar demasiado cansaço. Se for o caso, retire a criança do ambiente estimulante, explique aos presentes que a criança precisa de descansar e leve-a para um sítio mais calmo, onde possa descansar.
Antes de dormir, é importante ter pelo menos 30 minutos num ambiente mais tranquilo e sugira alguma actividade mais serena para que a criança se prepare para descansar. É normal que com a mudança de rotina, de ambiente e o contacto com novas coisas nestes dias de festa, provoquem mais dificuldade em adormecer e o seu papel é ajudar, tentando não introduzir demasiados novos hábitos que sejam difíceis de retirar posteriormente.

5- Divirta-se e evite momentos de stress!
Explique aos seus familiares e amigos que viajam ou que estão consigo nestas festas que você não é “chata” ou “exageradamente cuidadosa” com os horários do bebé, mas sim que os bebés têm necessidades de sono diferentes dos adultos e mesmo que a mudança de rotina seja passageira, o bebé pode ficar demasiado exausto e ser complicado para todos gerir o choro e a sua impertinência. Se eles insistirem em não “entender”, faça o que for melhor para si e para o seu bebé. Não vale a pena discutir com ninguém, apenas faça o que acha mais certo e não se culpe! Tenha confiança no que considera o mais correcto, até porque a mãe é você!
Tenha um excelente Natal e passagem de ano com a sua família e amigos e não stresse com todas as regras do sono. Mesmo os hábitos menos positivos, adquiridos nestes dias, podem ser removidos quando se volta à rotina normal, por isso não vale a pena criar batalhas nestes momentos, até que por pais stressados, filhos stressados e tudo se torna mais difícil! Divirta-se e aproveite estar com os seus filhos, família e amigos da melhor forma possível!

Boas Festas!

Quando acabar com a sesta?

Quando acabar com a sesta?

Um dos temas abordados na Consulta do Sono envolve as sestas e até quando a criança necessita de dormir a sesta. Alguns pais referem que a criança deixou de dormir a sesta com 3 anos, quando começou a frequentar o pré-escolar numa escola pública ou em alguns infantários que tomaram a mesma decisão. Outros referem que mesmo antes da criança deixar de dormir a sesta na escola, já não dormia a sesta ao fim-de-semana. E a conclusão dos pais, na maioria das vezes, é que não foi benéfico para a criança! Até mesmo quando não associam uma coisa à outra, quando os faço pensar sobre isso, concluímos que começaram a surgir maiores resistências para adormecer à noite e despertares nocturnos, a partir do momento que a criança deixou de dormir a sesta no infantário (antes dos 4/5 anos).

Muito recentemente, a 1 de Junho de 2017, a Sociedade Portuguesa de Pediatria veio apresentar as suas recomendações acerca da sesta nas creches, infantários, públicos ou privados e a recomendação chave é clara: A sesta deverá ser facilitada e promovida nas crianças até aos 5/6 anos de idade”.
A Sociedade Portuguesa de Pediatria afirma ainda que “a privação da sesta e a não realização do total de horas de sono diárias são uma problemática frequente na prática clínica e motivo de preocupação para os pediatras e médicos de família assim como para as respectivas famílias”.

As crianças têm, como é óbvio, as suas características individuais e podem apresentar diferenças de necessidade de sono diário, principalmente a partir dos 4 anos, além de que o tempo total de sono nocturno irá influenciar a duração da sesta e, até a partir desta fase, a necessidade de a realizar. Como podemos saber se a criança está pronta para deixar de dormir a sesta? Ao avaliar estes indicadores:

– Quando existe uma resistência prolongada na hora de adormecer à noite, porque não está cansada (esta questão tem que ser bem avaliada, pois se a criança estiver muito cansada a resistência para adormecer também é maior, pela dificuldade em se acalmar, relaxar para adormecer e pode não ter sinais de sono);
– Apresenta despertares nocturnos ou acorda muito mais cedo de manhã em comparação com a rotina prévia (aqui também temos o reverso da moeda, ou seja, uma criança em privação de sono também pode ter tendência em despertar mais durante a noite, tal como referi anteriormente);
– Incapacidade em adormecer durante o período inicial de 30 a 40 minutos de sesta;
– Tem a capacidade de passar todo o dia acordada com a preservação da atenção, humor e actividade sem necessidade de ter uma sesta.

Nem todas as crianças apresentam as mesmas alterações, em resultado de estarem a dormir menos do que necessitam ou quando deixam de dormir de todo a sesta. Contudo, sabendo o impacto do sono insuficiente em vários problemas comportamentais e fisiológicos, a Sociedade Portuguesa de Pediatria recomenda que a possibilidade de fazer a sesta deve ser implementada até à idade escolar, devendo ser as necessidades de sono individuais tidas em conta. Desta forma as suas orientações são no sentido de:
1- Devem ser proporcionadas as condições adequadas (leito/colchão, ambiente clamo, escuro, com temperatura adequada, limitação de ruído e com vigilância) a todas as crianças em idade pré-escolar a fim de assegurar a qualidade do sono da sesta.
2- Cada criança deve ter um plano individual de sesta, acordado com a família.
3- A sesta deve ser promovida pela educadora de infância na presença de manifestações de privação de sono ou necessidade de sesta pela criança.

Gostaria de acrescentar que, em casa, a criança também deveria ter acesso ao melhor ambiente para poder dormir a sesta e serem os pais a proporcioná-la, já que se a criança se mantiver em espaços de actividade, fora de casa, poderá não conseguir dormir, mantendo o estado alerta. Muitas vezes, não se trata de a criança não ter necessidade de dormir, pode é não haver o ambiente propício para relaxar e conseguir adormecer.

Se desejar saber mais sobre as recomendações da Sociedade Portuguesa de Pediatria sobre o sono diurno, deixo-lhe aqui o link.

Boas sestas! 🙂

Rabugento depois da sesta?

Rabugento depois da Sesta? Se o seu filho acorda rabugento, difícil de acalmar após uma sesta, muito provavelmente não dormiu o suficiente. A nossa tendência como pais, é considerar que se o nosso filho acorda rabugento é porque não quer estar mais deitado ou a dormir, mas muitas vezes, o que se passa é que criança ainda precisava de dormir mais e não sabe como lidar com a sua impertinência, nem sabe que a solução seria continuar a dormir. Muitos pais de bebés procuram-me para os ajudar com o sono diurno, pois os seus bebés dormem sestas de 10/ 15min / 30 min /45 min e, mesmo que acordem até bem dispostos, passado pouco tempo estão novamente impertinentes e conforme o dia vai avançando, têm cada vez mais dificuldade em adormecer ou a manter-se a dormir, ou seja, quanto mais cansaço houver, mais dificuldade em adormecer e em prolongar o sono. É uma bola de neve… Porque será que pode haver esta tendência?

1- A tendência para dormir sestas curtas é maior em bebés pequenos. Com o tempo, conforme a capacidade de estar mais tempo acordado sem ficar cansado vai aumentando, a probabilidade de consolidar sestas mais longas ao longo do dia, é maior.

2- Adormecer numa situação diferente da que se vão manter a dormir. Quanto menos autónomo for o adormecer, maior tendência para dormir sestas curtas, porque a criança, num momento de transição de fases de sono ou entre ciclos de sono (microdespertar), mais facilmente se aperceberá que algo mudou, tendo mais dificuldade em se manter a dormir. Ex: adormecer embalado e depois ser colocado no berço que não continua a ser embalado.

3- Se os pais/cuidadores, depois de uma sesta curta (inferior a uma hora), passarem a mensagem: “ok acordaste, já não é para dormir mais, vamos brincar”, sem tentar que voltem a adormecer, a tendência de dormir sestas curtas irá ficar “marcada” no relógio biológico da criança. Ou seja, a nossa resposta às sestas curtas também pode reforçar essa tendência.

4- Adormecer exausto, aumenta a probabilidade de maior agitação no sono, consequentemente aumenta a probabilidade de despertar.

Então como pode ajudar o seu filho a dormir sestas mais longas e adequadas à sua idade?

  •  Não assuma que uma sesta chegou ao fim quando durou menos de 30 a 40 minutos. Ou seja, antes de ir a correr quando houve os ruídos (inclui choramingar) que indicam que acordou, espere, oiça e antes de avançar, tenha a certeza que o seu filho não irá continuar a dormir, sem ajuda. Se aparece no momento em que ainda existe a possibilidade do bebé voltar a dormir sozinho, poderá estimulá-lo a manter-se acordado.
  • Quanto mais escuro, melhor. Surpreendido(a)? Pois é, muitos pais mantêm a ideia que as sestas devem ser em ambiente de luz, como recomendado nas primeiras semanas de vida do bebé. Contudo, esse ambiente pode ser só necessário nessas primeiras semanas para ajudar o bebé a distinguir o dia da noite, mas com o passar do tempo o bebé irá dormir melhor no escuro. Um ambiente sem luz, ajuda o organismo a perceber e a preparar-se para dormir, além de evitar estímulos que possam manter o bebé desperto.
  • O ambiente silencioso é o mais adequado. Existem crianças muito sensíveis aos ruídos e, por mais que se tente que habituá-los a dormir com ruído, irão sempre dormir melhor no silêncio ou num ambiente em que existe um som contínuo e repetitivo. Nos primeiros tempos de vida, os ruídos brancos (parecidos com o som do secador ou exaustor) poderão ajudar o bebé a dormir melhor, pois são sons semelhantes ao ambiente uterino que são familiares para o bebé. Com o passar do tempo, muitos bebés deixam de gostar destes sons e passam a preferir músicas de embalar. Atenção, se usar estes sons nas sestas, devem estar ligados todo o tempo da sesta, pois se é desligado, o bebé pode acordar com essa mudança no ambiente.
  • Inclua sempre um mini-ritual antes das sestas. Uns minutos antes de colocar o bebé para dormir, deve levá-lo para um ambiente mais calmo, diferente daquele onde costuma brincar, mudar a fralda, falar mais baixo com o bebé, relaxá-lo no colo e depois deitá-lo. Se retira o bebé de um ambiente estimulante e rapidamente o colocar para dormir, o bebé pode não estar preparado para fazer esta transição de vigília para o sono. Alterar o comportamento da criança relativamente ao sono diurno pode ser mais difícil do que no sono nocturno, mas com calma, persistência e com tempo, é sempre possível ajudar um bebé que passa horas acordado ou faz sestas muito curtas, a tornar-se um verdadeiro dorminhoco e bem disposto!

Estas dicas que aqui deixo são generalistas. Se não ajudar no seu caso, o meu conselho é que agende uma consulta do sono onde possamos desenhar um plano personalizado e garantir todo o apoio e acompanhamento necessários.

Boas sestas!

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A importância do sono diurno: “I Believe in naps!” – Parte I

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Ao longo da minha experiência de trabalho com famílias sobre o sono dos mais pequenos, deparo-me muitas vezes, com ideias de desvalorização acerca do sono diurno. Há pais que chegam a pedir nas creches/infantários que não deixem que os filhos durmam a sesta para ver se dormem melhor à noite. Por outro lado, nas creches nem sempre há a informação correcta sobre as necessidades de sono dos bebés, pois por vezes, deparo-me com situações de bebés que não são deitados para dormir uma sesta durante a manhã, apenas sendo colocados para dormir num ambiente propício, após a hora do almoço, quando a sesta durante a manhã deve existir até cerca de um ano de idade, principalmente se o bebé acorda cedo. Estas ideias não poderiam estar mais erradas e vou passar a explicar porquê.

As sestas são especialmente importantes para um sono saudável na infância, além de serem essenciais, quando o tempo de sono diurno é adequado à idade, para um bom sono nocturno. “Sono traz mais sono”, ou seja, se a criança dormir e descansar aquilo que precisa durante o dia, mais facilmente adormecerá de forma mais tranquila à noite e mais facilmente terá um sono sem interrupções durante a noite. Eu costumo explicar aos pais que o sono diurno, pelo menos até aos 4 anos, é como se constituísse os pilares da casa do sono, se esses pilares forem débeis, teremos um mau sono nocturno. Desta forma, o sono da sesta ou das sestas é tão importante como o sono da noite, no que toca ao descanso corporal e, também, à actividade cerebral, intelectual e emocional, além de oferecer ao bebé e à criança uma pausa nos estímulos, permitindo-lhes recarregar baterias para continuarem a apreender o mundo da melhor forma.

Há muitos pais mesmo sem saberem como o sono diurno pode afectar o sono nocturno, que se preocupam em colocar os bebés/crianças a dormirem durante o dia, pois reparam que se estiverem muito tempo acordados, vão ficando cada vez mais impertinentes, chorosos e difíceis de acalmar. Há sempre excepções, em que os pais relatam que têm bebés  bem dispostos, mesmo quando o seu sono diurno é deficitário. Contudo, da minha experiência este estado de boa disposição normalmente não dura muitos meses, pois é como se o cansaço se fosse acumulando e, principalmente quando surge uma novidade no desenvolvimento da criança que exige mais dispêndio de energia, este estado de “bebé tranquilo” bem como o sono nocturno, provavelmente se alterará.

Outro facto que também é importante referir, é que não podemos avaliar a necessidade de sono dos bebés e crianças pelo seu comportamento de resistência para dormir ou estado de vigília, ou seja, nem sempre uma criança cansada pede para dormir ou cai para o lado de sono, muitas vezes até parecem super despertos e excitados  e, afinal estão é muito cansados. Este estado de excitação confunde os pais se realmente a criança precisa de dormir, por isso costumam dizer: “parece que nunca está cansado”. Se o bebé não é guiado para dormir no momento certo, pode-se manter desperto e ultrapassar o estado de cansaço, chegando rapidamente ao estado de exaustão. No estado de exaustão, ao contrário do que era expectável, os bebés não aceitam bem que sejam colocados para dormir, pois estão já tão agitados e superestimulados que têm dificuldade em se acalmar, em relaxar para conseguir adormecer.

Depois de uma boa sesta, as crianças estarão melhor dispostas para interagir e os pais, após termos cuidado do sono diurno, costumam referir que a criança parece outra, muito mais calma e sorridente. Por isso, vale a pena ensinar a dormir melhor durante o dia, os ganhos são imensos.

Nos próximos posts, vou falar-vos sobre como gerir as sestas consoante a idade (número de sestas, tempo de duração,  janelas de oportunidade para adormecer tranquilamente); qual o melhor ambiente para dormir a sesta; como orientar para dormir melhor a sesta e quando a sesta deixa de ser necessária.

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