A minha história de intolerâncias alimentares e sono

Intolerâncias Alimentares e Sono

Na minha infância não tive uma boa relação com o sono. Não sei o que despoletou o quê ao certo, mas estou certa que as minhas intolerâncias alimentares prejudicaram bastante o meu sono, bem como a aprendizagem de bons hábitos de sono. Quando se tem um bebé que está constantemente a chorar, a vomitar, com diarreia, desconfortável, o estar ao colo parece ser o único recurso que pode dar algum conforto. Então, experimentei o colo de quase toda a gente da família e, mesmo assim, não era fácil manter-me tranquila.
Como devem imaginar, era impossível manterem-me ao colo uma noite inteira, o que ainda dificultava mais a minha tranquilidade, pois não queria deixar aquele colo de maneira alguma, pois não conhecia o conforto e a segurança de outro sítio.

Agitação, falta de sono e choro persistente em bebés e crianças pequenas é exaustivo e stressante para todos na família. Algumas crianças que apresentam este comportamento podem ter uma alergia à proteína do leite de vaca. Esta proteína pode ser consumida através do leite artificial, alimentos sólidos ou passada através do leite materno. Os sintomas da alergia ao leite de vaca podem ser confundidos com os sintomas de cólica. As pesquisas feitas nesta área demonstram uma ligação entre a alergia ao leite de vaca e a dificuldade do bebê de adormecer e continuar dormindo. Um bebé com uma alergia alimentar acorda com muita frequência e chora bastante a noite, é agitado e facilmente irritável, o que leva a que as horas de sono sejam reduzidas. Outros sintomas também podem prejudicar o sono como irritações na pele, eczema de pele, problemas gastrointestinais e dificuldades respiratórias.

A boa notícia é que as mesmas pesquisas apontam que o fato de retirar o leite de vaca da dieta resulta num retorno ao sono normal para a grande maioria desses bebês e na maioria dos casos a alergia resolve entre os 12 e 36 meses de idade. Se há uma suspeita de alergia, é aconselhável retirar o leite de vaca da dieta de 2 a 4 semanas. Isso significa evitar todos os alimentos que contém leite , uma mudança no tipo de leite artificial e, no caso do bebé amamentado com leite materno, a retirada do leite da dieta da mãe. Outros alimentos que podem afetar o sono ou que induzem a insônia por alergia ao alimento são a soja, o trigo , os ovos , as nozes, chocolates, milho, fermento e corantes.

Atualmente a medicina evolui bastante na área das intolerâncias alimentares, no diagnóstico e nas soluções, daí que seja muito mais fácil haver um diagnóstico precoce e poder retirar os alimentos que provocam intolerância o mais cedo possível.

Se um bebé tem tido dificuldades de sono por causa de alergias a alimentos por algum tempo, pode ter adquirido hábitos de sono que não são saudáveis. Neste caso, será importante depois que o problema da alergia ficar resolvido, ajudá-lo a desenvolver hábitos de sono e associações de sono mais saudáveis, o que poderia resultar num sono melhor para toda a família.

Uma das associações saudáveis de sono é: adormecer no mesmo espaço onde se vai manter a dormir. Daí ser importante saber reconfortar o bebé na cama, porque nem sempre o colo resolve tudo, ou pode resolver num momento e logo que se tenta pousar o bebé, volta ao choro aflitivo, como que a querer dizer: “nem penses colocar-me aí, não me enganas!“. Se o bebé conseguir sentir-se bem na cama, vai ajudá-lo a dormir melhor. Se ele considerar que só no colo se sente confortável, vai recusar a cama, como é óbvio.

Envolver o bebé, reduzir o espaço à sua volta, colocar um saquinho aquecido na sua barriguinha, ficar ao lado, contendo os movimentos, oferecendo a chupeta (caso use), colocando as suas mãos em cima do corpinho do bebé, embalando o berço, irá ajudar o bebé a sentir-me melhor na cama. Caso, não se acalme, o colo será sempre um bom lugar para acalmar e tentar pousar o bebé antes de estar realmente a dormir, pois a probabilidade de se aperceber que já não está no colo e acordar é grande. Outras vezes, terá mesmo que dormir no colo e ficar por lá, para que consiga descansar.

Não desista de ensinar a dormir bem e de procurar respostas para o desconforto! 🙂

“A sua filha dorme bem?” A pergunta que, com timidez, muitos me fazem…

É natural que haja curiosidade sobre se o que ando a “pregar” também funciona na minha casa, por isso, a pergunta sobre se a minha filha dorme bem é recorrente. Para quem não sabe, sou mãe de uma princesa de 6 anos e, não vos minto, quando respondo que lá em casa sabemos o que é noites inteiras de sono há muito tempo. Enganam-se se acharem que é fruto da sorte ou que é algo inato e a minha bebé nasceu uma boa dorminhoca. Até aos 2 meses, a minha filha fez-nos ver o sol nascer muitas noites, sem ter “pregado olho”. Desculpava-mos tudo, pensando que esta dificuldade com o sono tinha como causa, apenas e só, as cólicas.

Na altura, eu já tinha lido alguns livros sobre o sono dos bebés, mas uma coisa é a teoria, outra é “pôr a mão na massa”. Um dia enchi-me de coragem (é preciso para querermos mudar), comecei a reler tudo e a colocar em prática. E, não é que em apenas um fim-de-semana, houve mudanças surpreendentes no sono da “piquena”!

Foi uma mudança “Uau” e, finalmente, o pai e a mãe puderam dormir juntos toda a noite, pois já fazíamos turnos, pois o papá precisava de ir trabalhar no dia seguinte. Pudemos finalmente, acalmar a nossa ansiedade, saber em que momentos podíamos namorar, jantar, dormir sem andar num corropio aflitivo, entre adormeceres e despertares.
Claro que não existem receitas universais para todos e é evidente que cada criança é uma criança e que existem muitos factores que influenciam o bom sono na infância, mas garanto-vos que existem soluções para as dificuldades com o sono.

Assim, desde os 2 meses, a minha princesa começou a dormir 6 horas seguidas, foi aumentando as horas de sono contínuo progressivamente até estabilizar, por volta dos 6 meses. Ah! Um pormenor muito importante: não foi por não ser uma criança amamentada que começou a dormir bem. A minha filha foi amamentada, não em exclusivo, pois foi necessário suplemento algumas vezes, até aos 6 meses. A amamentação terminou nessa altura por não ter conseguido conciliar a volta ao trabalho com a amamentação, tendo a produção de leite diminuído drasticamente.

Também é importante dizer que o sono da minha filha continuou a correr bem até agora porque existe uma manutenção constante, ou seja, as estratégias que utilizamos vão sendo adaptadas à sua idade. Passamos por momentos típicos de regressão no sono, principalmente por volta dos 9 meses e dos 18 meses. Mas, quando os bons hábitos estão instalados e os pais sabem como hão de responder a estas fases, é muito mais fácil ultrapassá-las.
Por isso, acredite, se em sua casa ainda não se dorme bem, é possível alterar esse cenário, com coragem, determinação e persistência!

Dia Mundial do Sonho

Hoje, no Dia Mundial do Sonho, gostaria de vos falar um pouco sobre o que se sabe sobre o sonhos e que impacto poderá ter na vida dos mais pequenos.

Os sonhos na nossa vida, aqueles que existem enquanto dormimos, surgem ainda quando estamos na barriga da nossa mãe. “Quando estão nas barrigas das mães, os bebés sonham em 80 por cento do tempo. Quando nascem, têm comportamentos que lhes asseguram a sobrevivência. Temos memórias nos nossos genes, que asseguram a sobrevivência da espécie”, segundo Teresa Paiva, médica neurologista e a que eu considero a maior especialista sobre o sono portuguesa. Sonhar permite-nos resolver problemas ou até entendermos o impacto que alguns acontecimentos têm na nossa vida.

Na infância, principalmente a partir dos 24 meses, a criança começa a ter noção que sonha e, muitas vezes, os seus sonhos representam os seus medos, as suas emoções, as suas frustrações. Esta noção de que existem estes fenómenos oníricos, coincide com a fase das birras, de maior frustração.
É nesta fase, que a criança começa a manifestar estranheza perante a existência dos sonhos, que devemos explicar o que são, o que os diferencia da realidade. Como já disse, noutro artigo, é importante explicar que somos nós, a “nossa cabeça” que cria os sonhos enquanto dormimos. Foi assim que expliquei à minha filha, o que era sonhar e ela passou a contar-me os seus sonhos da seguinte forma: “mãe, eu hoje fiz um sonho… sonhei que…“. Ou seja, a criança pode entender a diferença entre a realidade e sonhar, diminuindo o impacto negativo de alguns sonhos. Se os sonhos forem de temas recorrentes, sempre com um lobo, sempre com uma bruxa, é importante retirar a carga negativa destas personagens, não desvalorizando, mas mostrando como um lobo até pode ser amigo ou a bruxa até pode ser engraçada.

Um dia superestimulante pode implicar mais matéria onírica e implicar, também, mais pesadelos na infância. Os pais devem ajudar a equilibrar os estímulos durante o dia, diminuindo o contacto com ecrãs ou contendo momentos demasiados excitantes, para os quais a criança poderá ainda não estar preparada.
Os pais devem contar que também sonham e o que sonham. Partilhar sonhos, é partilhar o que somos, o que sentimos e o que queremos.
As crianças têm uma grande capacidade para sonhar a dormir e acordados, por isso, cabe-nos a nós, ensinar a sonhar, ensinar a não ter medo de sonhar, a não ter medo de enfrentar os riscos de sonhar e acreditar que tudo é possível! 🙂

Ajude o seu filho a dormir melhor no infantário

Ajude o seu filho a dormir melhor no infantário

Para muitos pais, a entrada na creche/infantário gera uma série de preocupações:
– Vai chorar quando o deixarmos?
– Vão cuidar bem dele?
– Irá comer bem?
– Como irão alimentá-lo, se não aceita o biberão?
– Como irá dormir, se em casa só adormece a mamar ou ao colo?
– Vão deixar chorar para dormir?

Muitos pais procuram-me, antes da entrada no infantário, com todas estas questões e inseguranças normais desta fase. Têm o desejo de alterar em pouco tempo, os hábitos dos filhos para que se possam adaptar melhor.

Infelizmente, os bons hábitos de sono não se estabelecem em poucos dias, muito menos, quando se trata do sono diurno. Contudo, poderão haver mudanças positivas, em pouco tempo, caso os pais saibam o que fazer para que as suas estratégias adotadas sejam semelhantes às que a criança vai encontrar no infantário.
Antes de mais, é muito importante que os pais se informem das rotinas que vão existir no infantário, os horários de alimentação e de sono, bem como o ambiente existente para dormir (luz, escuro, silêncio, música, ruído).
Para que o sono da criança seja adequado durante o dia, é muito importante que tanto a política institucional da creche/infantário seja sensível às necessidades de sono individuais de cada criança, como que exista uma comunicação efectiva com os pais. Não basta comunicar aos pais, quando vão buscar os filhos, que: “esteve tudo bem”, pois esta comunicação não permite aos pais terem conhecimento de informações muito importantes e detalhadas. Caso a instituição não demonstre este empenho, é importante os pais perguntarem, diariamente, como correram as sestas (forma de adormecer, quantidade de sestas, duração das sestas), para que possam adequar o sono em casa (necessidade de mais uma sesta ao final do dia, adequar a hora de deitar à noite e seguir a mesma rotina quando a criança está em casa).

Existem instituições que criaram o livro da criança onde é anotado, diariamente, tudo o que aconteceu durante o dia: como dormiu, como comeu, quantos cocós, quantos xixis, como se comportou. Creio que todos os pais têm o direito de receber esta informação ao pormenor e, infelizmente, isto não acontece em muitas situações.

Então, afinal, como pode ajudar o seu filho a dormir melhor na creche/infantário?
– Comunicar com a educadora/auxiliares o que sabe sobre o sono do seu filho: hábitos de adormecer, horários de adormecer e de acordar, onde costuma dormir e em que ambiente;
– Levar para o infantário a fraldinha, dou dou, bonequinho que estejam associados ao sono;
– Se a criança tem hábitos de sono difíceis de replicar no infantário como: adormecer a mamar, adormecer ao colo, adormecer no carrinho a ser embalado, é importante, que os pais tentem alterar estes hábitos já em casa, umas semanas antes que ingresse no infantário; caso não seja possível, é importante estar em constante comunicação com o infantário para poderem trabalhar em equipa, o adormecer de forma mais autónoma;
– Conhecer os horários praticados no infantário e mantê-los em casa;
– Criar o mesmo ambiente que existe no infantário para dormir durante o dia (ideal é sem luz e sem ruído ou música de embalar);
– Cuidar do sono nocturno, pois a tendência é que quanto menos dorme à noite, menos dorme durante o dia;
– Pedir na creche que a criança não durma as sestas mais longas (após a hora do almoço) numa espreguiçadeira (não é adequado para o desenvolvimento físico do bebé e, por vezes, cria dependência do embalo o que compromete a duração da sesta).

Para poder cuidar das sestas realizadas na creche/infantário, também é essencial que os pais conheçam as necessidades de sono dos seus filhos, consoante a idade e as suas características pessoais, bem como as recomendações existentes. A Sociedade Portuguesa de Pediatria, em 2017, emitiu recomendações sobre as sestas nas creches/infantários públicas ou privadas que consistem em:
– Devem ser proporcionadas as condições adequadas (leito/colchão, ambiente calmo, escuro, com temperatura adequada, limitação de ruído e com vigilância) a todas as crianças em idade pré-escolar a fim de assegurar a qualidade do sono da sesta.
– Cada criança deve ter um plano individual de sesta, acordado com a família.
– A sesta deve ser promovida pela educadora de infância na presença de manifestações de privação de sono ou necessidade de sesta pela criança.
Um dos problemas que mais encontro sobre as sestas na creche está relacionado com a sesta da manhã que, em algumas das instituições, não é considerada como necessária. Desta forma, não é criado o ambiente propício para dormir, tal como é criado após a hora do almoço. Esta sesta de manhã deve existir até, pelo menos, aos 12 meses de idade, tendo a tendência de ir diminuindo de duração. Muitas crianças acabam por não dormir de manhã, não por não terem essa necessidade, mas porque o ambiente é demasiado estimulante para tal.

Outro problema que despoletou a criação das recomendações sobre as sestas, pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, de que vos falei anteriormente e, cujo link para o documento vos deixarei no final do artigo, foi a necessidade da sesta ser facilitada e promovida nas crianças até aos 5/6 anos, o que não se verifica em muitas instituições.

Num modo geral, daquilo que conheço das creches e infantários, existe a preocupação de guiar para dormir da forma mais adequada possível e, os pais devem estar descansados, pois seria impossível deixar chorar uma criança durante muito tempo quando existem outras crianças que estão a dormir ou que podem começar a chorar também. Acredito que com uma comunicação constante e trabalho de equipa, pode-se melhorar bastante as sestas da criança realizadas na creche ou infantário. Até porque, uma grande maioria dorme melhor a sesta na escola do que em casa. Porque será papás? A rotina e o adormecer mais autónomo, está no cerne da resposta, a esta questão.

Como prometido, aqui fica o link para o Documento das Recomendações sobre as sestas nas creches e infantário da Sociedade Portuguesa de Pediatria. E boas sestas! 🙂

Setembro – um mês de recomeços e de voltar à rotina!

Regresso às Rotinas

Em tempos de férias, há uma necessidade de fugir às rotinas habituais, não olhar para o relógio, fazer o que nos apetece, aproveitar na rua as noites quentes, bem como todas os eventos próprios do verão que se prolongam pela noite a dentro. Para as crianças, as férias significam muitos mergulhos na piscina, muitas cambalhotas e brincadeiras na areia da praia, contactar com familiares e amigos, deitar tarde por acompanharem os pais em actividades diferentes e, muitas vezes, continuam a acordar cedo para não desaproveitar nenhum momento para mais uma brincadeira. Para as crianças que precisam de dormir a sesta, esta acaba por ser feita em andamento no carro, no carrinho ou nem sequer existe porque a excitação e o ambiente não permitem. São momentos bons e inesquecíveis, estes que nos fazem suspirar e aguardar com ansiedade as próximas férias.

No final das férias, nem sempre nos sentimos mais descansados ou revigorados, principalmente para quem tem filhos pequenos. Para os mais pequenos, o cansaço acumulado é muito e que se reflecte em mais birras e agitação, parecendo que nunca têm sono.

Chega Setembro, este mês que creio que é especial para muitos de nós, apesar de significar o voltar à rotina. É que o mês de Setembro (eu sou suspeita porque é mesmo um mês cheio de significado familiar para mim), ficou marcado nas nossas memórias infantis, como o mês de receber a mochila nova, livros novos, canetas, lápis… Quem não se lembra, tão bem, de ir de mão dada com os pais comprar todas estas coisas e a excitação inerente?! Depois é um mês que simboliza o regresso a novos projectos, novo ano lectivo, reencontrar os amigos e colegas, conhecer novos professores, contar aos amigos todas as aventuras vividas nas férias. Estas memórias marcam para sempre o significado deste mês tão especial, apesar de para os adultos, poder ser um mês exigente, de voltar a criar rotinas, muitas coisas para reorganizar, preparar, preocupações de como correrá o recomeço ou início da escola para os mais pequenos e voltar ao trabalho cheios de saudades das férias.

Para ajudar nesta tarefa de voltar à rotina e para que no começo da escola, as crianças se encontrem descansadas, motivadas, cheias de energia positiva para aprender coisas novas, deixo-lhe aqui algumas sugestões:

* Organize-se de forma, a que cerca de uma semana/duas semanas antes do início da escola, a criança comece a ter novamente algumas rotinas mais semelhantes às que vão ser necessárias a partir do momento que comecem a frequentar a escola (horário de ir para a cama; ritual antes de dormir; guiar para dormir a sesta num ambiente propício e num horário adequado, semelhante àquele que irá existir na escola);
* Diminua as actividades diurnas e saídas tardias;
* Motive o seu filho para ajudar a arrumar os brinquedos, escolher os que já não quer, de forma, a criar um espaço mais tranquilo e arrumado no seu quarto;
* Promova actividades mais tranquilas como pintar, fazer um puzzle, brincar com legos;
* Reduza o ruído em casa, desligando em alguns momentos do dia, principalmente, à noite, a TV, jogos, música alta;
* Promova momentos de meditação com crianças a partir dos 3 anos, procurando que a criança oiça com atenção os ruídos do exterior, pedindo que feche os olhos e lhe diga o que consegue ouvir;
* Estabeleça um horário mais cedo para ir dormir, mas não de uma forma drástica, ou seja, se a criança durante as férias ia para a cama entre as 22h e as 23h, tente começar a deitar pelas 22h, passados 3 dias, pelas 21h45 e assim progressivamente até chegar ao horário adequado para a sua idade. Caso tente alterar o horário de uma forma radical, pode criar um momento de grande tensão e sem resultado.
* Não acenda a Tv ou promova actividades que interessam à criança logo mal ela acorda, principalmente se acordar às 5h/6h da manhã, pois isso irá motivá-la para continuar a acordar cedo.
* Diminua o contacto com os variados écrans: telemóveis, tablets, TV.
* Explique à criança como vai ser a nova rotina quando começar a escola e a importância de se preparar para ela.

Bom Setembro e vamos abraçar o descanso para que nos ajude a recomeçar cheios de energia!

Afinal quando é normal dormir a noite inteira?

Sono do BebéA grande questão dos pais sobre o sono, centra-se na questão de que quando será que finalmente poderão dormir uma noite descansada. Há quem diga que nunca mais, pois depois de se ter um filho, mesmo quando ele já deixa os pais dormirem uma noite inteira, a vida nunca mais será a mesma e as preocupações com eles, nunca mais os deixarão dormir descansados. Outros dizem que talvez quando deixar de mamar, outros dizem lá para os 3 anos, outros quando começar a andar e se cansar mais… Outros, ainda, acham que o seu bebé deve dormir a noite inteira quando tiver 4 meses como o bebé da amiga.

Não existe uma resposta muito concreta sobre este tema, tal como à questão de quando o bebé começa a andar, sabemos que é normal que aconteça dentro de um período de tempo, mas não acontece para todos os bebés na mesma idade. Relativamente, ao sono, a grande maioria dos estudos recentes indicam que a maior parte dos bebés de termo e saudáveis, com três meses, é fisiologicamente capaz de dormir várias horas de seguida durante a noite (cerca de 6 horas, pois dá-se a consolidação do sono nocturno) e pelos seis meses não precisam de ser alimentados durante a noite. Contudo, cerca de 25 a 50% dos bebés continuam a acordar durante a noite até aos nove a doze meses.

Quando falamos de um bebé que “dorme a noite inteira”, não queremos dizer que estes bebés não apresentam pequenos despertares próprios da arquitectura do sono (microdespertares), são é capazes de ultrapassá-los sem ajuda e voltar rapidamente a dormir. Com 1 ano, 60 a 70% dos bebés são capazes de se autoconsolarem e readormecer sem chorar.

A grande maioria dos investigadores nesta área defende que o bebé tende a apresentar, progressivamente, períodos de sono mais longos e que aos 6 meses já é, fisiologicamente capaz de dormir, entre 10 a 12 horas seguidas sem comer, desde que esteja a alimentar-se bem durante o dia.
Temos também que ter em conta o número de despertares, para podermos avaliar se é normal estar a acordar determinado número de vezes, com determinada idade. Por exemplo, é natural que um bebé de 5 meses ainda precise de se alimentar durante a noite 1x, mas se acorda e sinaliza cada microdespertar, praticamente de hora em hora ou de 3 em e 3 horas, na maioria das noites e sem estar doente nem desconfortável, possivelmente existe uma perturbação de sono por maus hábitos, por associações relativamente ao adormecer que o bebé não consegue replicar sozinho durante a noite, não conseguindo resolver estes despertares.

Para sabermos avaliar se o nosso bebé pode estar fisiologicamente preparado para dormir mais horas durante a noite, mas ainda não o faz por questões comportamentais, importa avaliar o seguinte:
– Se já foi possível dormir melhor e, entretando regrediu, tendo esta regressão já várias semanas (há regresões normais causadas por momentos de picos de crescimento ou por aquisições motoras e cognitivas que normalmente não duram mais que um mês);
– Conforme se foi desenvolvendo, o bebé não foi espaçando os intervalos para comer durante a noite (muito provavelmente se pede para comer, já não é fome, mas sim um hábito);
– Ainda não aprendeu a adormecer de forma autónoma;
– Se o sono diurno é insuficiente para a idade (pouco sono de dia, pior à noite);
– Se existem rotinas e ambiente desadequadas para dormir.

A maioria dos autores refere que se a criança está num ambiente que reforça cada período de vigília durante a noite ou cada microdespertar porque lhe dão de comer ou porque lhe respondem imediatamente, não se irá esforçar por voltar a adormecer por si. Deste modo, os problemas de autonomia e de independência estão muitas vezes na origem dos problemas de sono. Embora na nossa sociedade haja muita pressão no sentido de uma mãe ou um pai se sentirem culpados por irem pegar no filho ao colo demasiadas vezes ou durante demasiado tempo, eles não se sentem capazes de forçar um bebé pequeno que chora toda a noite a procurar os seus padrões de autoconforto. É natural que queiram chegar-se ao bebé e deixar que este se chegue a eles, pois a maioria dos pais deseja secretamente o conforto quente, cheiroso e amoroso de sentir o bebé a dormir junto a eles. É um misto de sentimentos, entre a necessidade de dormir e a dificuldade em gerir os protestos do bebé, no sentido da sua autonomia e auto-consolo.

O meu papel é ajudar a gerir este misto de sentimentos e ajudar os pais a encontrarem formas, o mais suaves possíveis, para ajudar os seus bebés a dormirem melhor.

Bibliografia consultada:
O Grande Livro da Criança, o desenvolvimento emocional e do comportamento durante os primeiros anos” – T. Berry Brazelton, Editorial Presença.
Centro Medicina do Sono” – Teresa Paiva e Thomas Penzel. Editora Lidel.
Pediatric Sleep, Diagnosis and Management of sleep problems”- Jodi A. Mindell e Judith A. Owens. Editora Wolters Kluwer.

“Levaste a bebé à psicóloga, deves estar maluca!”

Consulta do Sono

Há muito tempo que oiço desabafos dos pais sobre aquilo que a família e amigos dizem quando lhes contam que vieram à consulta do sono. As frases que ouvem são deste género: “é normal que não durma, é um bebé!“, levaste a bebé à psicóloga, deves estar maluca!“, “tu é que precisas de ir à psicóloga, porque ter um bebé é assim…“.

Eu sorrio e respondo que é normal haver este tipo de pensamento, porque até há muito pouco tempo não havia consultas do sono para bebés e crianças, não havia resposta para este tipo de problema e que ainda existe muito preconceito relativamente a consultar um profissional formado em psicologia. Os psicólogos não tratam só os chamados “malucos”, trabalham em várias áreas e especializam-se em várias áreas relacionadas com o comportamento. Sabemos hoje que a causa de muitas perturbações do sono ou problemas do sono derivam de causas comportamentais e não fisiológicas, principalmente na infância. Cuidar do sono dos mais pequenos, não é forçar num sentido que seja contra-natura, pois é verdade que os bebés podem precisar de despertar durante a noite e receberem uma resposta dos pais em algumas situações. É sim, adequar o ambiente, as respostas dos pais/cuidadores, os horários, rituais de sono às necessidades do bebé em cada fase do seu desenvolvimento. Existem pequenos pormenores, como a existência de luz ou não, que podem fazer toda a diferença no sono. É esta informação que passo aos pais e é através de informação com base científica, tendo em conta todos os aspectos essenciais para um bom desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, que são desenhados os planos de acção para melhorar o sono.

Apesar de ainda haver um longo caminho a trilhar sobre estas crenças que não valorizam o sono dos mais pequenos e consideram que o bom sono nasce com eles, não podendo ser melhorado ou que se tem que esperar que cresça ou por um milagre, fico muito contente pela crescente procura da minha ajuda nos últimos 5 anos. Tenho muita esperança em ser possível mudar estas crenças e os pais que já foram acompanhados na consulta, têm sido fortes aliados neste sentido. Sofrem com estes comentários, mas a sua maioria não se deixa enfraquecer, pois os resultados da sua confiança em todo o processo, são visíveis. Obrigada pela confiança, obrigada pela vossa perseverança, obrigada pelo vosso amor incondicional pelos vossos filhotes, obrigada por quererem fazer sempre melhor!

Se eu fosse vós, também estaria confusa!

© Psicóloga Teresa Sousa

Sou mãe há 5 anos e já houve tanta coisa que me fez parar para reflectir sobre a educação da minha filha. Erro todos os dias e aprendo todos os dias. Cresço diariamente como mãe e é obrigatório ter esta capacidade porque eles não param de crescer e nós temos que nos adaptar constantemente. Não sentem o mesmo?
Quando há algumas situações que não sei como resolver, procuro respostas porque tenho uma faceta de inconformista, acredito sempre que se pode melhorar.
Tenho um acesso privilegiado à informação, pois devido à minha formação tenho uma biblioteca vasta e actual, bem como sei onde devo procurá-la (pelo menos, na maior parte das vezes). Se, para mim, mesmo sendo formada em Psicologia e com várias formações pós-licenciatura, por vezes é difícil filtrar informação e escolher a que mais me faz sentido, imagino que não seja nada fácil para os pais que são “bombardeados” com artigos sobre o que é correcto e o que é incorrecto na educação e desenvolvimento das crianças, frequentemente através de vários meios, se sintam confusos com tanta informação contraditória.

Na área do sono infantil, a que me dedico, mesmo entre especialistas do campo comportamental (trabalham sobre o comportamento e não medicam), não há consenso sobre vários aspectos. Há estudos que demonstram que de determinada forma é que está bem, outros demonstram completamente o contrário, o que provoca quase uma clivagem entre modelos de intervenção e um desacordo entre profissionais. A área comportamental não é como a matemática em que “2+2 são 4” e não há dúvidas sobre isso.
Depois, infelizmente, há muita gente sem formação base na área comportamental que se intrometeu nela e que até se autointitula “especialista” ou até “fada dos bebés”. Não existem fadas. Fadas são as mães e os pais! Esses sim são os heróis que se dedicam 24 horas a estes seres incríveis que são as crianças!
Quando trabalhamos com pais e crianças, creio que a maior virtude não é ter razão, mas sim ter humildade, saber escutar, sem julgamento, sem receitas universais!
Mas voltando ao título deste post: no vosso lugar, estaria muito confusa! Afinal pode-se ou não ajudar a dormir melhor? Afinal estas estratégias que vendem por aí, só passam de tretas? Será que isto de dormir bem, não é próprio de cada criança e não há nada que possamos fazer, apenas esperar que cresça? Um diz: dá colo para dormir, nunca negues colo, senão és má mãe! Outro diz, coloca a dormir na cama dele, a culpa de não dormir, é tua! Dorme com ele que passa a dormir bem! Não podem dormir com o bebé, assim nunca vai dormir bem! Ui dizem-se tantas coisas que percebo que dê vontade de fazer ouvidos moucos a tudo!
Tenho as minhas teorias sim, não só com base no que estudei, mas também tendo por base a minha experiência profissional e, não menos importante, experiência de mãe. Mas as teorias que utilizo não são rígidas, dependem muito da criança e dos pais que tenho à minha frente. Acima de tudo, procuro ajudar e não impor formas de fazer.
Penso que no meio disto tudo, o mais importante é ouvirmos o que vai cá dentro, aquela voz que nos diz se está tudo bem, que é uma fase, ou isto não está bem, eu não estou bem, o meu bebé não está bem, a minha relação de casal está a sofrer com a privação de sono, sou pior pai e mãe desta forma cansada e sem paciência. Se ouvirmos o nosso interior com atenção, vamos encontrar respostas e vamos perceber se devemos procurar ajuda ou não. Pedir ajuda não é fracassar ou mostrar que somos maus pais, pelo contrário, é querer ser melhor!

Como ajudar o seu filho a dormir nas férias do Natal?

Como ajudar o seu filho a dormir nas férias do Natal

Muitos pais, nesta época de festas, viagens, visitas da famílias, almoçaradas, jantaradas, excitação para as crianças, questionam-me como manter o bom sono finalmente alcançado ou como não perturbar totalmente o sono dos mais pequenos.

É evidente que será mais difícil manter a rotina normal de sono durante a azáfama das festas, contudo ao tentar proporcionar o melhor descanso para as crianças, vai permitir que estas aproveitem estes momentos da melhor forma, evitando birras constantes. Creio que com algumas estratégias, é possível passar momentos inesquecíveis e de diversão em família e com os amigos, a par de proporcionar o descanso necessário às crianças:

1- Não é obrigatório, por alguns dias, ser prisioneiro da rotina.
Se os nossos filhos já têm uma rotina estável e dormem bem há algum tempo, não tendo problemas prévios de sono, podemos permitir que a brincadeira antes de dormir se estenda um pouco mais. Quando, na maior parte das vezes, estamos a atingir as necessidades básicas do sono, as sestas ocasionais perdidas ou a hora de dormir podem não afectar muito os nossos pequeninos. Assim, se algumas semanas antes das férias o sono é uma prioridade, será mais fácil para a criança lidar com menos horas de sono durante as festas.
Para as crianças que recentemente estão a modificar padrões de sono e estão a aprender a dormir melhor, é muito importante manter rotinas, senão não se pode esperar progressos ou até podem existir retrocessos, caso a rotina e o plano de melhoria de sono não for respeitado. Não se deve iniciar processos de melhoria do comportamento face ao sono em alturas que não é possível manter a consistência. Quando for possível manter rotinas, o melhor ambiente de sono e as estratégias definidas, voltam as mãos à obra!

2- Levar objectos/reproduzir ambiente familiar do sono
Quando fizer a mala de viagem ou a mochila para estar algum tempo fora de casa, não se esqueça de levar os objectos que fazem parte da rotina de sono do seu filho, como bonecos, dou dous, chupeta, livros, músicas, saco cama, almofada… Assim tanto para fazer uma sesta ou para dormir à noite fora de casa, a criança se sentirá mais confortável e conseguirá mais facilmente dormir bem.
Pratique a rotina de ir para a cama de forma consistente, reproduzindo-a onde quer que esteja e sempre que puder, tanto nas sestas como à noite. Se em casa, costuma ler sempre a mesma história antes de dormir, leve consigo essa história e reproduza a mesma rotina tal como em casa. Ao guiar a criança para a mesma sequência de eventos antes de dormir, vai permitir à criança maior sentido de conforto e segurança, preparando-a para dormir onde quer que esteja. Ah, nos hotéis não costuma ser fácil manter o escuro tal como em casa, pois não costumam existir persianas, o que pode provocar um despertar mais cedo. Como evitar que isto aconteça? Pode colocar a cama da criança o mais longe possível da entrada de luz, pode colocar uma cadeira contra o cortinado nas laterais, de forma a evitar que entre tanta luz ou pode motivá-la a usar uma venda para dormir (existem umas muito giras com desenhos).

3- Evite sobreestimular os bebés com demasiados estímulos e actividades.
Bebés demasiado cansados vão ter mais dificuldade em adormecer e podem ter mais despertares à noite, por isso não planeei actividades demais. Tente proporcionar vários momentos de descanso, mesmo em movimento no carrinho, no carro…
Tente respeitar os horários de dormir à noite e durante o dia. Se o bebé dormir bem no carrinho por exemplo, não há problema em fazer algumas sestas na rua enquanto todos passeiam, mas cuidado para não exagerar e fazer todas as sestas na rua, porque se o bebé não descansar o suficiente e dormir em lugares muito agitados, a qualidade de sono não será a mesma! No final, a noite pode ser difícil!

4- Evitar demasiadas birras com demasiada descarga emocional.
Há crianças que facilmente ficam muito cansadas. Esteja atento ao comportamento da criança, ao excesso de excitação, birras que pode indicar demasiado cansaço. Se for o caso, retire a criança do ambiente estimulante, explique aos presentes que a criança precisa de descansar e leve-a para um sítio mais calmo, onde possa descansar.
Antes de dormir, é importante ter pelo menos 30 minutos num ambiente mais tranquilo e sugira alguma actividade mais serena para que a criança se prepare para descansar. É normal que com a mudança de rotina, de ambiente e o contacto com novas coisas nestes dias de festa, provoquem mais dificuldade em adormecer e o seu papel é ajudar, tentando não introduzir demasiados novos hábitos que sejam difíceis de retirar posteriormente.

5- Divirta-se e evite momentos de stress!
Explique aos seus familiares e amigos que viajam ou que estão consigo nestas festas que você não é “chata” ou “exageradamente cuidadosa” com os horários do bebé, mas sim que os bebés têm necessidades de sono diferentes dos adultos e mesmo que a mudança de rotina seja passageira, o bebé pode ficar demasiado exausto e ser complicado para todos gerir o choro e a sua impertinência. Se eles insistirem em não “entender”, faça o que for melhor para si e para o seu bebé. Não vale a pena discutir com ninguém, apenas faça o que acha mais certo e não se culpe! Tenha confiança no que considera o mais correcto, até porque a mãe é você!
Tenha um excelente Natal e passagem de ano com a sua família e amigos e não stresse com todas as regras do sono. Mesmo os hábitos menos positivos, adquiridos nestes dias, podem ser removidos quando se volta à rotina normal, por isso não vale a pena criar batalhas nestes momentos, até que por pais stressados, filhos stressados e tudo se torna mais difícil! Divirta-se e aproveite estar com os seus filhos, família e amigos da melhor forma possível!

Boas Festas!

Luz de Presença, sim ou não?

Luz de Presença - Sim ou Não?

Hoje vou falar sobre um tema que causa muita confusão para os pais e porque me parece, pelo que tenho assistido na consulta do sono que, actualmente, em muitas casas há sempre luz acesa durante a noite. E isso será bom?

“Qual a intensidade de luz que deve ser deixada no quarto do bebé? Há uma cor que favoreça o sono? O quarto deve estar escuro ou deve haver uma pequena luz?”

Estas são as questões às quais vos vou dar resposta. Hoje sabemos através de vários estudos recentes, que a exposição à luz durante a noite, não é benéfica para a saúde. A presença de luz à noite prejudica a qualidade do sono e afeta o funcionamento do nosso relógio biológico interno. A presença ou não de luz indica ao nosso corpo se é hora de acordar ou de dormir. À noite, quando deixa de haver luz solar, o nosso cérebro é informado de que é hora de produzir a melatonina, a hormona do sono, o que nos permite ficar sonolentos. Contudo, as luzes artificiais perturbam a avaliação do nosso organismo, relativamente ao momento em que se começa a produzir melatonina e que é altura de dormir. Temos que ajudar a melatonina funcionar para proporcionar aos nossos filhos que adormeçam tranquilos, além de que a luz acessa durante a noite aumenta a probabilidade de mais despertares nocturnos, já que estimula o cérebro a despertar.

Hoje sabemos que para todos dormirmos bem, o ambiente deve estar escuro, tão escuro que não se possa ver uma mão à frente. Então, perguntam vocês, como vamos fazer para cuidar do bebé durante a noite, às escuras? A luz necessária para cuidar do bebé durante a noite deve ser fraca e deve ser apagada quando os pais não estiverem no quarto a cuidar do bebé ou quando ele é colocado a dormir no mesmo quarto que os pais.

Segundo uma publicação da Harvard Medical School, de maio de 2012, a luz de qualquer cor afeta a produção de melatonina e atrapalha o sono, mas a luz azul, adequada para mantermo-nos alerta e aumentar a nossa concentração durante o dia, durante a noite prejudica mais o sono do que as outras cores.
Este estudo comparou 6 horas de exposição à luz azul e à luz verde com a mesma intensidade entre si e, concluiu que a luz azul é capaz de suprimir duas vezes mais a produção de melatonina que a luz verde.
A conclusão desta pesquisa mostrou que a melhor cor, ou aquela que menos afeta o nosso relógio biológico e a que menos interfere na produção da nossa hormona do sono, é a cor vermelha. Interessante não, é?

Mesmo antes de ir dormir, o ambiente lá em casa, pelo menos 30 minutos antes, deve ser com luz pouco intensa, para preparar as crianças para relaxar. Além de perturbar o nosso organismo com mensagens contraditórias se realmente é hora de dormir, a luz permite às crianças ver o que está no seu quarto e estimula a manter a brincadeira, tendo maior dificuldade em carregar no “off”.

Se o seu filho está habituado a dormir com luz, o ideal não é apagar bruscamente, mas sim diminuir aos poucos a intensidade dessa luz e até passá-la, posteriormente para fora do quarto. No caso das crianças que já se levantam para ir fazer xixi, aconselho dar uma lanterna pequena com pouca luz que a criança pode acender se precisar.
Ah e, nem sempre a luz resolve os medos! Por vezes, pode aumentá-los pelo efeito sombra que a luz provoca: um ursinho inofensivo pode tornar-se um monstro gigante através da sua sombra. Desta forma, devemos avaliar se a utilização da luz é mesmo necessária, pois é mais desvantajoso um ambiente de luz (por mais ténue que seja) para o sono, do que um ambiente sem luz.

Bons soninhos!

O Soninho do Bebé Prematuro

O Soninho do Bebé Prematuro

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Prematuridade e os números são alarmantes: mais de um em cada dez nascimentos acontecem antes das 37 semanas de gestação. Estes bebés podem sofrer complicações variadas decorrentes da sua prematuridade e o sono também pode ser afectado.

Os estudos nesta área têm concluído que os bebés prematuros têm mais problemas de sono que os bebés com tempo normal de gestação, bem como risco aumentado de respiração anormal durante o sono. Este risco aumenta conforme o maior grau de prematuridade do bebé. Os bebés prematuros desenvolvem ciclos de sono-vigília de forma diferente dos bebés de termo, pois a maturação do sono está relacionada com o tempo desde o nascimento e a idade gestacional.
Um bebé que nasce de termo fica cerca de 15-20 minutos em sono profundo e 65-70 minutos em sono leve. Um prematuro, no início de sua vida, pode ficar apenas 2-5 minutos em sono profundo antes de voltar para o sono leve e é nesta fase que passa a maior parte do seu tempo. Desta forma um prematuro dorme mais que um bebé de termo, diminuindo as oportunidades de interacção com a família e dificultando a amamentação.
Mesmo quando completam 40 semanas de idade corrigida, os bebés prematuros ainda não ficam o mesmo tempo que bebés de termo no estágio de sono profundo, além de que despertam mais vezes durante a noite, levando também mais tempo para dormir a noite inteira, mesmo tendo em conta a idade cronológica corrigida. No entanto, se os devidos cuidados com iluminação, som e manuseio forem tomados no período da noite na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais e, posteriormente em casa, a adequação do padrão de sono do prematuro tende a progredir mais rápido. E quais são estes cuidados? Basicamente tudo o que permite reproduzir o ambiente uterino, nos primeiros tempos de vida, ajudará o bebé a relaxar e a dormir melhor:
– Ser enrolado e criar uma espécie de “ninho”, à sua volta, reproduzindo a contenção do útero materno;
– Usar ruídos brancos, sons semelhantes ao que existe no útero materno;
– Muito colo e embalo, principalmente na posição de lado ou barriga para baixo, o que ajuda a conter os membros do bebé e a que o bebé se sinta mais seguro, pois estando ao colo de barriga para cima, fá-lo sentir que pode cair mais facilmente;
– Oferecer maminha ou chupeta para sugar;
– Dormir com luz durante o dia (atenção a luz não deve bater de forma intensa nos olhinhos do bebé) e escuro durante a noite (mesmo escuro, apague luzes de presença enquanto o bebé dorme).

Bons soninhos!

Rabugento depois da sesta?

Rabugento depois da Sesta? Se o seu filho acorda rabugento, difícil de acalmar após uma sesta, muito provavelmente não dormiu o suficiente. A nossa tendência como pais, é considerar que se o nosso filho acorda rabugento é porque não quer estar mais deitado ou a dormir, mas muitas vezes, o que se passa é que criança ainda precisava de dormir mais e não sabe como lidar com a sua impertinência, nem sabe que a solução seria continuar a dormir. Muitos pais de bebés procuram-me para os ajudar com o sono diurno, pois os seus bebés dormem sestas de 10/ 15min / 30 min /45 min e, mesmo que acordem até bem dispostos, passado pouco tempo estão novamente impertinentes e conforme o dia vai avançando, têm cada vez mais dificuldade em adormecer ou a manter-se a dormir, ou seja, quanto mais cansaço houver, mais dificuldade em adormecer e em prolongar o sono. É uma bola de neve… Porque será que pode haver esta tendência?

1- A tendência para dormir sestas curtas é maior em bebés pequenos. Com o tempo, conforme a capacidade de estar mais tempo acordado sem ficar cansado vai aumentando, a probabilidade de consolidar sestas mais longas ao longo do dia, é maior.

2- Adormecer numa situação diferente da que se vão manter a dormir. Quanto menos autónomo for o adormecer, maior tendência para dormir sestas curtas, porque a criança, num momento de transição de fases de sono ou entre ciclos de sono (microdespertar), mais facilmente se aperceberá que algo mudou, tendo mais dificuldade em se manter a dormir. Ex: adormecer embalado e depois ser colocado no berço que não continua a ser embalado.

3- Se os pais/cuidadores, depois de uma sesta curta (inferior a uma hora), passarem a mensagem: “ok acordaste, já não é para dormir mais, vamos brincar”, sem tentar que voltem a adormecer, a tendência de dormir sestas curtas irá ficar “marcada” no relógio biológico da criança. Ou seja, a nossa resposta às sestas curtas também pode reforçar essa tendência.

4- Adormecer exausto, aumenta a probabilidade de maior agitação no sono, consequentemente aumenta a probabilidade de despertar.

Então como pode ajudar o seu filho a dormir sestas mais longas e adequadas à sua idade?

  •  Não assuma que uma sesta chegou ao fim quando durou menos de 30 a 40 minutos. Ou seja, antes de ir a correr quando houve os ruídos (inclui choramingar) que indicam que acordou, espere, oiça e antes de avançar, tenha a certeza que o seu filho não irá continuar a dormir, sem ajuda. Se aparece no momento em que ainda existe a possibilidade do bebé voltar a dormir sozinho, poderá estimulá-lo a manter-se acordado.
  • Quanto mais escuro, melhor. Surpreendido(a)? Pois é, muitos pais mantêm a ideia que as sestas devem ser em ambiente de luz, como recomendado nas primeiras semanas de vida do bebé. Contudo, esse ambiente pode ser só necessário nessas primeiras semanas para ajudar o bebé a distinguir o dia da noite, mas com o passar do tempo o bebé irá dormir melhor no escuro. Um ambiente sem luz, ajuda o organismo a perceber e a preparar-se para dormir, além de evitar estímulos que possam manter o bebé desperto.
  • O ambiente silencioso é o mais adequado. Existem crianças muito sensíveis aos ruídos e, por mais que se tente que habituá-los a dormir com ruído, irão sempre dormir melhor no silêncio ou num ambiente em que existe um som contínuo e repetitivo. Nos primeiros tempos de vida, os ruídos brancos (parecidos com o som do secador ou exaustor) poderão ajudar o bebé a dormir melhor, pois são sons semelhantes ao ambiente uterino que são familiares para o bebé. Com o passar do tempo, muitos bebés deixam de gostar destes sons e passam a preferir músicas de embalar. Atenção, se usar estes sons nas sestas, devem estar ligados todo o tempo da sesta, pois se é desligado, o bebé pode acordar com essa mudança no ambiente.
  • Inclua sempre um mini-ritual antes das sestas. Uns minutos antes de colocar o bebé para dormir, deve levá-lo para um ambiente mais calmo, diferente daquele onde costuma brincar, mudar a fralda, falar mais baixo com o bebé, relaxá-lo no colo e depois deitá-lo. Se retira o bebé de um ambiente estimulante e rapidamente o colocar para dormir, o bebé pode não estar preparado para fazer esta transição de vigília para o sono. Alterar o comportamento da criança relativamente ao sono diurno pode ser mais difícil do que no sono nocturno, mas com calma, persistência e com tempo, é sempre possível ajudar um bebé que passa horas acordado ou faz sestas muito curtas, a tornar-se um verdadeiro dorminhoco e bem disposto!

Estas dicas que aqui deixo são generalistas. Se não ajudar no seu caso, o meu conselho é que agende uma consulta do sono onde possamos desenhar um plano personalizado e garantir todo o apoio e acompanhamento necessários.

Boas sestas!

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A importância do sono diurno: “I Believe in naps!” – Parte I

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Ao longo da minha experiência de trabalho com famílias sobre o sono dos mais pequenos, deparo-me muitas vezes, com ideias de desvalorização acerca do sono diurno. Há pais que chegam a pedir nas creches/infantários que não deixem que os filhos durmam a sesta para ver se dormem melhor à noite. Por outro lado, nas creches nem sempre há a informação correcta sobre as necessidades de sono dos bebés, pois por vezes, deparo-me com situações de bebés que não são deitados para dormir uma sesta durante a manhã, apenas sendo colocados para dormir num ambiente propício, após a hora do almoço, quando a sesta durante a manhã deve existir até cerca de um ano de idade, principalmente se o bebé acorda cedo. Estas ideias não poderiam estar mais erradas e vou passar a explicar porquê.

As sestas são especialmente importantes para um sono saudável na infância, além de serem essenciais, quando o tempo de sono diurno é adequado à idade, para um bom sono nocturno. “Sono traz mais sono”, ou seja, se a criança dormir e descansar aquilo que precisa durante o dia, mais facilmente adormecerá de forma mais tranquila à noite e mais facilmente terá um sono sem interrupções durante a noite. Eu costumo explicar aos pais que o sono diurno, pelo menos até aos 4 anos, é como se constituísse os pilares da casa do sono, se esses pilares forem débeis, teremos um mau sono nocturno. Desta forma, o sono da sesta ou das sestas é tão importante como o sono da noite, no que toca ao descanso corporal e, também, à actividade cerebral, intelectual e emocional, além de oferecer ao bebé e à criança uma pausa nos estímulos, permitindo-lhes recarregar baterias para continuarem a apreender o mundo da melhor forma.

Há muitos pais mesmo sem saberem como o sono diurno pode afectar o sono nocturno, que se preocupam em colocar os bebés/crianças a dormirem durante o dia, pois reparam que se estiverem muito tempo acordados, vão ficando cada vez mais impertinentes, chorosos e difíceis de acalmar. Há sempre excepções, em que os pais relatam que têm bebés  bem dispostos, mesmo quando o seu sono diurno é deficitário. Contudo, da minha experiência este estado de boa disposição normalmente não dura muitos meses, pois é como se o cansaço se fosse acumulando e, principalmente quando surge uma novidade no desenvolvimento da criança que exige mais dispêndio de energia, este estado de “bebé tranquilo” bem como o sono nocturno, provavelmente se alterará.

Outro facto que também é importante referir, é que não podemos avaliar a necessidade de sono dos bebés e crianças pelo seu comportamento de resistência para dormir ou estado de vigília, ou seja, nem sempre uma criança cansada pede para dormir ou cai para o lado de sono, muitas vezes até parecem super despertos e excitados  e, afinal estão é muito cansados. Este estado de excitação confunde os pais se realmente a criança precisa de dormir, por isso costumam dizer: “parece que nunca está cansado”. Se o bebé não é guiado para dormir no momento certo, pode-se manter desperto e ultrapassar o estado de cansaço, chegando rapidamente ao estado de exaustão. No estado de exaustão, ao contrário do que era expectável, os bebés não aceitam bem que sejam colocados para dormir, pois estão já tão agitados e superestimulados que têm dificuldade em se acalmar, em relaxar para conseguir adormecer.

Depois de uma boa sesta, as crianças estarão melhor dispostas para interagir e os pais, após termos cuidado do sono diurno, costumam referir que a criança parece outra, muito mais calma e sorridente. Por isso, vale a pena ensinar a dormir melhor durante o dia, os ganhos são imensos.

Nos próximos posts, vou falar-vos sobre como gerir as sestas consoante a idade (número de sestas, tempo de duração,  janelas de oportunidade para adormecer tranquilamente); qual o melhor ambiente para dormir a sesta; como orientar para dormir melhor a sesta e quando a sesta deixa de ser necessária.

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“O meu filho parece um relógio suíço, acorda sempre à mesma hora!” – A influência do relógio biológico no sono

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O sono é uma das funções do corpo humano que é regulada por um relógio biológico que, segundo os cientistas, é constituído por dois grupos de células que se encontram no centro do cérebro. Este relógio biológico é definido de acordo com o conjunto de pistas derivadas do ambiente, especialmente pelos períodos de luz e escuro e envolve o ciclo de sono e vigília, actividade digestiva, produção de hormonas, regulação térmica e diversos outros processos que se repetem diariamente. O período de tais ciclos dura cerca de 24 horas e, cada um dos processos atrelados ao citado relógio biológico, repete-se diariamente. Apesar dos ritmos circadianos serem inatos, levam tempo a se desenvolverem. É por isso que os recém-nascidos têm ciclos de sono/vigília inconstantes e que, essencialmente são regulados, pelo sentimento de fome ou satisfação (saciedade). Por volta das 4 a 6 semanas de vida, o ciclo circadiano começa a desenvolver-se, iniciando-se com a regulação hormonal (hormona do crescimento e a melatonina) e, pelas 8 a 12 semanas, um bebé é capaz de dormir por períodos mais longos, pois já é possível a consolidação e maior regulação dos ritmos de sono. Por vezes, os bebés precisam de ajuda para regular os seus ritmos de sono, o que é possível, guiando o bebé para rotinas/horários mais estáveis e criando ambientes distintos entre o dia e a noite, além disso a exposição solar durante o dia, vai ajudar a criar ritmos mais constantes e a manter o bebé mais desperto durante o dia e a dormir por períodos mais longos durante a noite.

O relógio biológico tem tanto impacto na qualidade do sono que, quando não existem horários consistentes para dormir e acordar, a probabilidade de existirem problemas de sono é maior. Um exemplo da existência de necessidade de constância nos horários de dormir e acordar, é que quando acordamos durante a semana de trabalho à mesma hora, a nossa tendência é acordar à mesma hora no fim-de-semana, mesmo que possamos dormir até mais tarde. O relógio biológico cria marcas através da constância, permitindo adormecer mais facilmente à mesma hora e acordar à mesma hora. A inconsistência nos horários de sono tem impacto no desenvolvimento cognitivo das crianças, provocando um ritmo circadiano disruptivo, privação de sono e efeitos na plasticidade do cérebro (capacidade que o cérebro tem em se remodelar em função das experiências do sujeito, reformulando as suas conexões em função das necessidades e dos factores do meio ambiente). Desta forma, é muito mais fácil que uma criança adormeça tranquila se for deitada, todos os dias, por volta da mesma hora (hora adequada à sua idade) e ao adormecer mais tranquila e não muito cansada, mais facilmente conseguirá prolongar o sono nocturno sem ter despertares.

Em muitos casos de problemas de sono na infância, existem situações anteriores como acordar com fome, com frio, com sede, porque tem um “sonho mau”, uma dor, ou outra razão que ficam marcados no relógio biológico, mesmo quando já não existe fome, nem frio ou dores. Isto costuma acontecer se os despertares, mesmo quando não existe desconforto da criança, forem marcados (o que exige repetição) pela intervenção dos pais (a presença dos pais, o leitinho quente, as festinhas e os beijinhos, o colo, as canções e outros rituais para embalar), de forma que o despertador biológico fica programado para essas horas. Exemplo típico destas situações, é o acordar para comer durante a noite, mesmo quando a alimentação já foi reforçada durante o dia e quando já não existe uma necessidade fisiológica. Se os pais continuarem a responder com comida aos despertares dos filhos, os despertares vão-se manter, quase cronometrados por um “relógio suíço”. Para ser possível, apagar estas marcas, estes despertares do relógio biológico da criança, é necessário os pais deixarem de responder de forma tão interventiva, diminuindo progressivamente a sua intervenção, dando sinal à criança que ela própria pode aprender a resolver estes despertares sem tanta ajuda dos pais. Mas atenção, tal não implica deixar de intervir radicalmente, como deixar chorar sem intervir. É possível guiar a criança a sentir confiança em si própria e nas suas capacidades de resolução dos despertares, de forma suave e nunca se sentindo abandonada.

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A minha cama é boa!

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O seu bebé gosta do seu berço? Ou chora desconsoladamente sempre que o deita nele?
Imagine que uma noite acorda num sítio que para si não tem um bom significado, como se sentiria? Com certeza, assustado e cheio de vontade de fugir dali. Acontece o mesmo com os nossos bebés, daí que quanto mais familiar for o seu berço, melhor se sentirá nele.
Apesar de muitas vezes o bebé não considerar que o seu berço é um lugar confortável e seguro, é possível guiá-lo para que ele se sinta bem lá e que passe a gostar da sua caminha.

O que podemos fazer quando o bebé associou o berço a um lugar mau, de forma a que passe a considerá-lo familiar e seguro?

Experimente as seguintes estratégias:
– proporcionar-lhe algum tempo do dia no berço, fora das horas habituais de dormir, desenvolvendo alguma actividade, tal como fazer-lhe festinhas, cantar, ler-lhe uma história, fazer-lhe uma massagem e brincar;
– quando sentir que o seu bebé já se sente mais tranquilo e confiante no berço, dê-lhe um objecto que ele goste ou ligue um móbil, mas não participe na brincadeira, fique apenas a observar, sentada (o) numa cadeira ao pé do berço;
– quando o bebé já for capaz de estar tranquilo no berço, sem que interaja constantemente com ele, comece a deitar o bebé sonolento e não a dormir no berço, de forma a que parte do relaxamento do adormecer aconteça já no berço e para que ele reconheça aquele sítio como a última memória que tem de estar acordado, permitindo que não acorde assustado. Numa primeira fase, o bebé poderá precisar de muita ajuda para adormecer no berço e poder-se-á alternar colo com o deitar no berço, até que o bebé perceba que ,também, é capaz adormecer na cama.

Estes passos farão com que o bebé sinta que estar sozinho no seu berço pode ser agradável, ajudando-o a criar autonomia na hora de adormecer e acalmar-se sempre que acordar durante a noite.

Alerto que em determinados casos, como em situações que o bebé foi deixado a chorar no berço por longos períodos ou em que nunca esteve acostumado a dormir no berço, será necessário desenvolver estratégias mais complexas, para que o bebé consiga “apagar” as memórias antigas e substituí-las por sensações de segurança/conforto quando está no seu berço.

 

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