A minha história de intolerâncias alimentares e sono

Intolerâncias Alimentares e Sono

Na minha infância não tive uma boa relação com o sono. Não sei o que despoletou o quê ao certo, mas estou certa que as minhas intolerâncias alimentares prejudicaram bastante o meu sono, bem como a aprendizagem de bons hábitos de sono. Quando se tem um bebé que está constantemente a chorar, a vomitar, com diarreia, desconfortável, o estar ao colo parece ser o único recurso que pode dar algum conforto. Então, experimentei o colo de quase toda a gente da família e, mesmo assim, não era fácil manter-me tranquila.
Como devem imaginar, era impossível manterem-me ao colo uma noite inteira, o que ainda dificultava mais a minha tranquilidade, pois não queria deixar aquele colo de maneira alguma, pois não conhecia o conforto e a segurança de outro sítio.

Agitação, falta de sono e choro persistente em bebés e crianças pequenas é exaustivo e stressante para todos na família. Algumas crianças que apresentam este comportamento podem ter uma alergia à proteína do leite de vaca. Esta proteína pode ser consumida através do leite artificial, alimentos sólidos ou passada através do leite materno. Os sintomas da alergia ao leite de vaca podem ser confundidos com os sintomas de cólica. As pesquisas feitas nesta área demonstram uma ligação entre a alergia ao leite de vaca e a dificuldade do bebê de adormecer e continuar dormindo. Um bebé com uma alergia alimentar acorda com muita frequência e chora bastante a noite, é agitado e facilmente irritável, o que leva a que as horas de sono sejam reduzidas. Outros sintomas também podem prejudicar o sono como irritações na pele, eczema de pele, problemas gastrointestinais e dificuldades respiratórias.

A boa notícia é que as mesmas pesquisas apontam que o fato de retirar o leite de vaca da dieta resulta num retorno ao sono normal para a grande maioria desses bebês e na maioria dos casos a alergia resolve entre os 12 e 36 meses de idade. Se há uma suspeita de alergia, é aconselhável retirar o leite de vaca da dieta de 2 a 4 semanas. Isso significa evitar todos os alimentos que contém leite , uma mudança no tipo de leite artificial e, no caso do bebé amamentado com leite materno, a retirada do leite da dieta da mãe. Outros alimentos que podem afetar o sono ou que induzem a insônia por alergia ao alimento são a soja, o trigo , os ovos , as nozes, chocolates, milho, fermento e corantes.

Atualmente a medicina evolui bastante na área das intolerâncias alimentares, no diagnóstico e nas soluções, daí que seja muito mais fácil haver um diagnóstico precoce e poder retirar os alimentos que provocam intolerância o mais cedo possível.

Se um bebé tem tido dificuldades de sono por causa de alergias a alimentos por algum tempo, pode ter adquirido hábitos de sono que não são saudáveis. Neste caso, será importante depois que o problema da alergia ficar resolvido, ajudá-lo a desenvolver hábitos de sono e associações de sono mais saudáveis, o que poderia resultar num sono melhor para toda a família.

Uma das associações saudáveis de sono é: adormecer no mesmo espaço onde se vai manter a dormir. Daí ser importante saber reconfortar o bebé na cama, porque nem sempre o colo resolve tudo, ou pode resolver num momento e logo que se tenta pousar o bebé, volta ao choro aflitivo, como que a querer dizer: “nem penses colocar-me aí, não me enganas!“. Se o bebé conseguir sentir-se bem na cama, vai ajudá-lo a dormir melhor. Se ele considerar que só no colo se sente confortável, vai recusar a cama, como é óbvio.

Envolver o bebé, reduzir o espaço à sua volta, colocar um saquinho aquecido na sua barriguinha, ficar ao lado, contendo os movimentos, oferecendo a chupeta (caso use), colocando as suas mãos em cima do corpinho do bebé, embalando o berço, irá ajudar o bebé a sentir-me melhor na cama. Caso, não se acalme, o colo será sempre um bom lugar para acalmar e tentar pousar o bebé antes de estar realmente a dormir, pois a probabilidade de se aperceber que já não está no colo e acordar é grande. Outras vezes, terá mesmo que dormir no colo e ficar por lá, para que consiga descansar.

Não desista de ensinar a dormir bem e de procurar respostas para o desconforto! 🙂

“A sua filha dorme bem?” A pergunta que, com timidez, muitos me fazem…

É natural que haja curiosidade sobre se o que ando a “pregar” também funciona na minha casa, por isso, a pergunta sobre se a minha filha dorme bem é recorrente. Para quem não sabe, sou mãe de uma princesa de 6 anos e, não vos minto, quando respondo que lá em casa sabemos o que é noites inteiras de sono há muito tempo. Enganam-se se acharem que é fruto da sorte ou que é algo inato e a minha bebé nasceu uma boa dorminhoca. Até aos 2 meses, a minha filha fez-nos ver o sol nascer muitas noites, sem ter “pregado olho”. Desculpava-mos tudo, pensando que esta dificuldade com o sono tinha como causa, apenas e só, as cólicas.

Na altura, eu já tinha lido alguns livros sobre o sono dos bebés, mas uma coisa é a teoria, outra é “pôr a mão na massa”. Um dia enchi-me de coragem (é preciso para querermos mudar), comecei a reler tudo e a colocar em prática. E, não é que em apenas um fim-de-semana, houve mudanças surpreendentes no sono da “piquena”!

Foi uma mudança “Uau” e, finalmente, o pai e a mãe puderam dormir juntos toda a noite, pois já fazíamos turnos, pois o papá precisava de ir trabalhar no dia seguinte. Pudemos finalmente, acalmar a nossa ansiedade, saber em que momentos podíamos namorar, jantar, dormir sem andar num corropio aflitivo, entre adormeceres e despertares.
Claro que não existem receitas universais para todos e é evidente que cada criança é uma criança e que existem muitos factores que influenciam o bom sono na infância, mas garanto-vos que existem soluções para as dificuldades com o sono.

Assim, desde os 2 meses, a minha princesa começou a dormir 6 horas seguidas, foi aumentando as horas de sono contínuo progressivamente até estabilizar, por volta dos 6 meses. Ah! Um pormenor muito importante: não foi por não ser uma criança amamentada que começou a dormir bem. A minha filha foi amamentada, não em exclusivo, pois foi necessário suplemento algumas vezes, até aos 6 meses. A amamentação terminou nessa altura por não ter conseguido conciliar a volta ao trabalho com a amamentação, tendo a produção de leite diminuído drasticamente.

Também é importante dizer que o sono da minha filha continuou a correr bem até agora porque existe uma manutenção constante, ou seja, as estratégias que utilizamos vão sendo adaptadas à sua idade. Passamos por momentos típicos de regressão no sono, principalmente por volta dos 9 meses e dos 18 meses. Mas, quando os bons hábitos estão instalados e os pais sabem como hão de responder a estas fases, é muito mais fácil ultrapassá-las.
Por isso, acredite, se em sua casa ainda não se dorme bem, é possível alterar esse cenário, com coragem, determinação e persistência!

Ajude o seu filho a dormir melhor no infantário

Ajude o seu filho a dormir melhor no infantário

Para muitos pais, a entrada na creche/infantário gera uma série de preocupações:
– Vai chorar quando o deixarmos?
– Vão cuidar bem dele?
– Irá comer bem?
– Como irão alimentá-lo, se não aceita o biberão?
– Como irá dormir, se em casa só adormece a mamar ou ao colo?
– Vão deixar chorar para dormir?

Muitos pais procuram-me, antes da entrada no infantário, com todas estas questões e inseguranças normais desta fase. Têm o desejo de alterar em pouco tempo, os hábitos dos filhos para que se possam adaptar melhor.

Infelizmente, os bons hábitos de sono não se estabelecem em poucos dias, muito menos, quando se trata do sono diurno. Contudo, poderão haver mudanças positivas, em pouco tempo, caso os pais saibam o que fazer para que as suas estratégias adotadas sejam semelhantes às que a criança vai encontrar no infantário.
Antes de mais, é muito importante que os pais se informem das rotinas que vão existir no infantário, os horários de alimentação e de sono, bem como o ambiente existente para dormir (luz, escuro, silêncio, música, ruído).
Para que o sono da criança seja adequado durante o dia, é muito importante que tanto a política institucional da creche/infantário seja sensível às necessidades de sono individuais de cada criança, como que exista uma comunicação efectiva com os pais. Não basta comunicar aos pais, quando vão buscar os filhos, que: “esteve tudo bem”, pois esta comunicação não permite aos pais terem conhecimento de informações muito importantes e detalhadas. Caso a instituição não demonstre este empenho, é importante os pais perguntarem, diariamente, como correram as sestas (forma de adormecer, quantidade de sestas, duração das sestas), para que possam adequar o sono em casa (necessidade de mais uma sesta ao final do dia, adequar a hora de deitar à noite e seguir a mesma rotina quando a criança está em casa).

Existem instituições que criaram o livro da criança onde é anotado, diariamente, tudo o que aconteceu durante o dia: como dormiu, como comeu, quantos cocós, quantos xixis, como se comportou. Creio que todos os pais têm o direito de receber esta informação ao pormenor e, infelizmente, isto não acontece em muitas situações.

Então, afinal, como pode ajudar o seu filho a dormir melhor na creche/infantário?
– Comunicar com a educadora/auxiliares o que sabe sobre o sono do seu filho: hábitos de adormecer, horários de adormecer e de acordar, onde costuma dormir e em que ambiente;
– Levar para o infantário a fraldinha, dou dou, bonequinho que estejam associados ao sono;
– Se a criança tem hábitos de sono difíceis de replicar no infantário como: adormecer a mamar, adormecer ao colo, adormecer no carrinho a ser embalado, é importante, que os pais tentem alterar estes hábitos já em casa, umas semanas antes que ingresse no infantário; caso não seja possível, é importante estar em constante comunicação com o infantário para poderem trabalhar em equipa, o adormecer de forma mais autónoma;
– Conhecer os horários praticados no infantário e mantê-los em casa;
– Criar o mesmo ambiente que existe no infantário para dormir durante o dia (ideal é sem luz e sem ruído ou música de embalar);
– Cuidar do sono nocturno, pois a tendência é que quanto menos dorme à noite, menos dorme durante o dia;
– Pedir na creche que a criança não durma as sestas mais longas (após a hora do almoço) numa espreguiçadeira (não é adequado para o desenvolvimento físico do bebé e, por vezes, cria dependência do embalo o que compromete a duração da sesta).

Para poder cuidar das sestas realizadas na creche/infantário, também é essencial que os pais conheçam as necessidades de sono dos seus filhos, consoante a idade e as suas características pessoais, bem como as recomendações existentes. A Sociedade Portuguesa de Pediatria, em 2017, emitiu recomendações sobre as sestas nas creches/infantários públicas ou privadas que consistem em:
– Devem ser proporcionadas as condições adequadas (leito/colchão, ambiente calmo, escuro, com temperatura adequada, limitação de ruído e com vigilância) a todas as crianças em idade pré-escolar a fim de assegurar a qualidade do sono da sesta.
– Cada criança deve ter um plano individual de sesta, acordado com a família.
– A sesta deve ser promovida pela educadora de infância na presença de manifestações de privação de sono ou necessidade de sesta pela criança.
Um dos problemas que mais encontro sobre as sestas na creche está relacionado com a sesta da manhã que, em algumas das instituições, não é considerada como necessária. Desta forma, não é criado o ambiente propício para dormir, tal como é criado após a hora do almoço. Esta sesta de manhã deve existir até, pelo menos, aos 12 meses de idade, tendo a tendência de ir diminuindo de duração. Muitas crianças acabam por não dormir de manhã, não por não terem essa necessidade, mas porque o ambiente é demasiado estimulante para tal.

Outro problema que despoletou a criação das recomendações sobre as sestas, pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, de que vos falei anteriormente e, cujo link para o documento vos deixarei no final do artigo, foi a necessidade da sesta ser facilitada e promovida nas crianças até aos 5/6 anos, o que não se verifica em muitas instituições.

Num modo geral, daquilo que conheço das creches e infantários, existe a preocupação de guiar para dormir da forma mais adequada possível e, os pais devem estar descansados, pois seria impossível deixar chorar uma criança durante muito tempo quando existem outras crianças que estão a dormir ou que podem começar a chorar também. Acredito que com uma comunicação constante e trabalho de equipa, pode-se melhorar bastante as sestas da criança realizadas na creche ou infantário. Até porque, uma grande maioria dorme melhor a sesta na escola do que em casa. Porque será papás? A rotina e o adormecer mais autónomo, está no cerne da resposta, a esta questão.

Como prometido, aqui fica o link para o Documento das Recomendações sobre as sestas nas creches e infantário da Sociedade Portuguesa de Pediatria. E boas sestas! 🙂

Quartos partilhados

Quartos partilhados

Hoje celebra-se o Dia dos Irmãos! Neste dia especial, lembrei-me de vos falar sobre as crianças que dormem com os seus irmãos. Partilhar o quarto pode ajudar a criar laços mais fortes entre irmãos, permite partilhar mais momentos juntos e até ultrapassar alguns medos. A diferença de idade vai determinar se é viável juntar os irmãos ou não. Juntar duas crianças pequenas com pouca diferença de idade que ainda não dormem bem, pode ser um motivo de maior agitação e interrupções no sono.

Os irmãos mais velhos, quando chega um irmão bebé, podem ter o desejo de partilhar o seu quarto com o bebé. Sugiro que esta partilha só seja realizada quando existir estabilidade no sono do irmão bebé e quando já pouco acorda durante a noite, apesar de muitos irmãos mais velhos costumarem ter a habilidade de não acordar facilmente. Caso, o bebé ainda desperte muitas vezes a chorar é imprudente juntar irmãos, já que o mais velho pode começar a dormir mal e a queixar-se que o mais novo o incomoda. Além de que, quando o bebé não dorme bem, os pais têm a tendência em ir ter com ele ao mínimo sinal que despertou, com medo que acorde o mais velho, influenciando a capacidade do bebé conseguir dormir melhor sozinho.

Quando o irmão mais velho já tem idade para compreender que os pais precisam da sua ajuda para ensinar o bebé a dormir melhor, pode-se conseguir um forte aliado, já que sentem-se em geral, muito orgulhosos por poderem tomar conta dos mais novos. Os pais devem explicar-lhe que o bebé, por vezes chora, quando ainda está a dormir ou que chora porque não sabe dormir e que precisam da sua ajuda para ensiná-lo. Sei de irmãos mais velhos que ajudaram bastante neste processo e que até eram capazes de fazer shhhh quando o bebé despertava durante a noite, ajudando-o a voltar a dormir.

Outros irmãos podem não conseguir ajudar neste processo e, temporariamente, tal como vos disse atrás, mais vale estarem separados enquanto o bebé não conseguir dormir melhor.

Depois existem situações, principalmente no caso dos gémeos, que podemos ter dois irmãos que dormem mal. Neste caso, pode ser complicado ajudá-los, aos dois juntos, a dormir melhor, mas não é impossível. Em casos extremos, em que interferem bastante com o sono um do outro, deve-se ponderar em separar enquanto não estabilizam.

As crianças, a partir dos 2 anos, costumam sentir-se amparadas pelos irmãos mais velhos e a partilha do quarto ajuda a ultrapassar angústias e medos. A leitura da história a partir dos 2 anos, é um bom ritual para toda a família e que requer regras de silêncio, atenção e sossego para proporcionar uma hora de deitar tranquila.

No ritual antes de dormir, é importante que todos participem e que se deitem à mesma hora. Geralmente só é possível deitar mais cedo um deles, quando o primeiro que se deita, ainda não entende que o irmão se vai deitar mais tarde. Conversar antes de dormir, é uma boa prática entre irmãos desde que não se estenda demasiado. Os pais devem estar atentos à conversa, risos e às gargalhadas, impondo os limites. Mas é sempre bom permitir um pouco deste cenário porque é sinal que as crianças se dão bem e são felizes, que estão a desenvolver a sua cumplicidade e não é por mais dez minutos ou menos dez minutos de sono que irão perder qualidade no seu descanso.

Com os bons hábitos de sono ajustados, dormir com o irmão no mesmo quarto é partilhar momentos inesquecíveis e de grande cumplicidade!

Porque a hora de adormecer é tão importante?

Porque a hora de dormir é tão importante?

Vivemos numa época de muito stresse, vivemos a um ritmo aceleradíssimo, sem tempo para não fazer nada, sem tempo para dedicarmos atenção ao nosso organismo e às suas necessidades. E os nossos filhos acabam por viver, inevitavelmente, também a um ritmo acelerado, acompanhando-nos no nosso dia-a-dia, saem tarde da escola, ATL, depois de muitas horas fora de casa, chegam a casa, e pouco tempo existe para as tarefas restantes: banho, jantar, estar um pouco com os pais e ir dormir. Estas poucas horas que passam em casa com os pais, ao final do dia, muitas vezes não são vividas com tranquilidade e qualidade. Já parou para pensar que mal observa com atenção o seu filho, que anda em piloto automático, num contra-relógio entre as tarefas da casa e os cuidados básicos às crianças? E tempo para ouvir música com eles, olhando nos seus olhinhos com atenção, conhecendo-os melhor? E tempo para brincar com eles, de forma presente sem estar a pensar no que tem que fazer no dia seguinte ou que ainda tem que colocar a máquina a lavar? E tempo para ler a história todas as noites com prazer, com miminho? O turbilhão que, por vezes, pode haver na nossa mente de pais, com mil pensamentos ao mesmo tempo, o nosso cansaço, reflecte-se muito no comportamento deles e, também na forma como percepcionam o mundo. Assim, eles também não conseguem desligar, não conseguem relaxar, emitam-nos inconscientemente na nossa agitação e intranquilidade.
Se para nós pais, o sono for importante, cuidarmos dele e o respeitarmos, é mais fácil que os nossos filhos tenham o mesmo comportamento. O sono necessita de rituais, de pormenores, de uma preparação. Tal como tem que preparar a refeição para a poder comer, dormir também precisa de uma preparação adequada.
O estado emocional e físico na hora de adormecer é influenciado pelo nosso dia e pelos momentos antes de irmos dormir. Desta forma, temos que nos preocupar com o sono desde que acordamos, porque ele vai ser influenciado por tudo o que acontece no nosso dia-a-dia (alimentação, stress, exercício físico). No caso das crianças, posso resumir os factores que mais influenciam o seu estado emocional e físico na hora de adormecer:
– Caso ainda tenham idade para dormir a(s) sesta(as) e se tiverem tido oportunidade de o fazer de forma adequada para a idade, será mais fácil que adormeçam de forma mais tranquila;
– Se o dia foi preenchido por bons estímulos adequados à idade(brincar, saltar, actividades que permitam sorrir, interagir com o outro), se não foi um dia preenchido por stress, birras também é mais fácil que adormecer e dormir sejam mais tranquilos;
– Logo após o jantar, todo o ambiente, actividade devem ser adequados para proporcionar um bom momento para adormecer, por isso, desligue TV, não permita contacto com telemóveis, tablets, nem actividade física vigorosa, coloque uma musica tranquila, deixe de lado o que tem para fazer e dedique-se a criar um momento de interacção positivo e calmo com o seu filho: para os bebés, um banho relaxante; para as crianças a partir dos 18 meses, ler uma história; para crianças a partir dos 3 anos, fazer um puzzle, brincar com algo que permita estar sentado, que não estimule demasiado a criança e depois ler a história. Acima de tudo, proporcione estes momentos com uma boa energia, não porque tem que ser e seja firme no respeito do que é permitido ou não nesta hora.
– Uma hora de dormir que é sentida como um momento de separação, de insegurança e em que a criança sente que ainda não preencheu a sua necessidade de estar com os pais, pode prejudicar bastante toda a noite que se segue.

Um dos factores que é extremamente importante para um bom sono, é todo o ambiente/situação em que a criança adormece. Nós, humanos, temos a necessidade de controlar o que acontece enquanto dormimos, não podemos permitir que fiquemos em perigo enquanto estamos a dormir, por isso avaliamos algumas vezes se tudo se mantém igual desde que adormecemos. Os bebés podem fazer esta avaliação, que coincide nos momentos de microdespertar, de hora em hora e despertarem efectivamente, tendo mais dificultade em voltar a dormir, caso algo se tenha alterado. Por isso, vou-lhe passar uma informação muito valiosa:

Os bebés e crianças dormem melhor se adormecerem na situação mais idêntica a que se vão manter a dormir.

Se eu adormecer de mão dada com alguém, se eu adormecer com luz acesa, se eu adormecer a ser embalada, se eu adormecer com música a tocar, se eu adormecer quentinha, se eu adormecer a mexer no cabelo de alguém, se eu adormecer no sofá e…. entretanto… aperceber-me que já não tenho nenhuma mão na minha, se a luz se tiver apagado, se já não estiver a ser embalada, se a música já não estiver ligada, se ficar destapada, já não encontrar o cabelo em que mexia, se acordar na minha cama sem saber como lá fui parar… eu juro que me assustaria e MUITO!
Daí que uma das tarefas importantes para ajudar a dormir melhor, é aproximarmos (por vezes, temos que ir bem devagarinho, quando as crianças dependem de algo exterior que não controlam para adormecer) de uma situação em que a criança consegue adormecer e manter-se a dormir, sem nada se alterar no seu envolvente ou naquilo que precisa para adormecer. Se a criança precisa de si pai e mãe para adormecer, é bem provável que volte a precisar sempre que sentir a vossa falta.

Bons soninhos! 🙂

“Levaste a bebé à psicóloga, deves estar maluca!”

Consulta do Sono

Há muito tempo que oiço desabafos dos pais sobre aquilo que a família e amigos dizem quando lhes contam que vieram à consulta do sono. As frases que ouvem são deste género: “é normal que não durma, é um bebé!“, levaste a bebé à psicóloga, deves estar maluca!“, “tu é que precisas de ir à psicóloga, porque ter um bebé é assim…“.

Eu sorrio e respondo que é normal haver este tipo de pensamento, porque até há muito pouco tempo não havia consultas do sono para bebés e crianças, não havia resposta para este tipo de problema e que ainda existe muito preconceito relativamente a consultar um profissional formado em psicologia. Os psicólogos não tratam só os chamados “malucos”, trabalham em várias áreas e especializam-se em várias áreas relacionadas com o comportamento. Sabemos hoje que a causa de muitas perturbações do sono ou problemas do sono derivam de causas comportamentais e não fisiológicas, principalmente na infância. Cuidar do sono dos mais pequenos, não é forçar num sentido que seja contra-natura, pois é verdade que os bebés podem precisar de despertar durante a noite e receberem uma resposta dos pais em algumas situações. É sim, adequar o ambiente, as respostas dos pais/cuidadores, os horários, rituais de sono às necessidades do bebé em cada fase do seu desenvolvimento. Existem pequenos pormenores, como a existência de luz ou não, que podem fazer toda a diferença no sono. É esta informação que passo aos pais e é através de informação com base científica, tendo em conta todos os aspectos essenciais para um bom desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, que são desenhados os planos de acção para melhorar o sono.

Apesar de ainda haver um longo caminho a trilhar sobre estas crenças que não valorizam o sono dos mais pequenos e consideram que o bom sono nasce com eles, não podendo ser melhorado ou que se tem que esperar que cresça ou por um milagre, fico muito contente pela crescente procura da minha ajuda nos últimos 5 anos. Tenho muita esperança em ser possível mudar estas crenças e os pais que já foram acompanhados na consulta, têm sido fortes aliados neste sentido. Sofrem com estes comentários, mas a sua maioria não se deixa enfraquecer, pois os resultados da sua confiança em todo o processo, são visíveis. Obrigada pela confiança, obrigada pela vossa perseverança, obrigada pelo vosso amor incondicional pelos vossos filhotes, obrigada por quererem fazer sempre melhor!

Se eu fosse vós, também estaria confusa!

© Psicóloga Teresa Sousa

Sou mãe há 5 anos e já houve tanta coisa que me fez parar para reflectir sobre a educação da minha filha. Erro todos os dias e aprendo todos os dias. Cresço diariamente como mãe e é obrigatório ter esta capacidade porque eles não param de crescer e nós temos que nos adaptar constantemente. Não sentem o mesmo?
Quando há algumas situações que não sei como resolver, procuro respostas porque tenho uma faceta de inconformista, acredito sempre que se pode melhorar.
Tenho um acesso privilegiado à informação, pois devido à minha formação tenho uma biblioteca vasta e actual, bem como sei onde devo procurá-la (pelo menos, na maior parte das vezes). Se, para mim, mesmo sendo formada em Psicologia e com várias formações pós-licenciatura, por vezes é difícil filtrar informação e escolher a que mais me faz sentido, imagino que não seja nada fácil para os pais que são “bombardeados” com artigos sobre o que é correcto e o que é incorrecto na educação e desenvolvimento das crianças, frequentemente através de vários meios, se sintam confusos com tanta informação contraditória.

Na área do sono infantil, a que me dedico, mesmo entre especialistas do campo comportamental (trabalham sobre o comportamento e não medicam), não há consenso sobre vários aspectos. Há estudos que demonstram que de determinada forma é que está bem, outros demonstram completamente o contrário, o que provoca quase uma clivagem entre modelos de intervenção e um desacordo entre profissionais. A área comportamental não é como a matemática em que “2+2 são 4” e não há dúvidas sobre isso.
Depois, infelizmente, há muita gente sem formação base na área comportamental que se intrometeu nela e que até se autointitula “especialista” ou até “fada dos bebés”. Não existem fadas. Fadas são as mães e os pais! Esses sim são os heróis que se dedicam 24 horas a estes seres incríveis que são as crianças!
Quando trabalhamos com pais e crianças, creio que a maior virtude não é ter razão, mas sim ter humildade, saber escutar, sem julgamento, sem receitas universais!
Mas voltando ao título deste post: no vosso lugar, estaria muito confusa! Afinal pode-se ou não ajudar a dormir melhor? Afinal estas estratégias que vendem por aí, só passam de tretas? Será que isto de dormir bem, não é próprio de cada criança e não há nada que possamos fazer, apenas esperar que cresça? Um diz: dá colo para dormir, nunca negues colo, senão és má mãe! Outro diz, coloca a dormir na cama dele, a culpa de não dormir, é tua! Dorme com ele que passa a dormir bem! Não podem dormir com o bebé, assim nunca vai dormir bem! Ui dizem-se tantas coisas que percebo que dê vontade de fazer ouvidos moucos a tudo!
Tenho as minhas teorias sim, não só com base no que estudei, mas também tendo por base a minha experiência profissional e, não menos importante, experiência de mãe. Mas as teorias que utilizo não são rígidas, dependem muito da criança e dos pais que tenho à minha frente. Acima de tudo, procuro ajudar e não impor formas de fazer.
Penso que no meio disto tudo, o mais importante é ouvirmos o que vai cá dentro, aquela voz que nos diz se está tudo bem, que é uma fase, ou isto não está bem, eu não estou bem, o meu bebé não está bem, a minha relação de casal está a sofrer com a privação de sono, sou pior pai e mãe desta forma cansada e sem paciência. Se ouvirmos o nosso interior com atenção, vamos encontrar respostas e vamos perceber se devemos procurar ajuda ou não. Pedir ajuda não é fracassar ou mostrar que somos maus pais, pelo contrário, é querer ser melhor!

Quando e como fazer a transição do berço de grades para a cama?

Do Berço para a Cama de Grades

Quando e como fazer a transição do berço de grades para a cama?
Esta é uma questão que também muitos pais me colocam e que, por vezes, é vista como uma solução para as más noites de sono. Será mesmo assim?

1 – Será a altura certa?
A expectativa de que a mudança do berço de grades para a cama irá melhorar o sono dos mais pequenos, pode sair frustrada. Este tipo de mudança pode levar a maior agitação, insegurança e mais despertares durante a noite, pois na cama não há limites tão definidos como no berço de grades e a criança, como naturalmente se movimenta muito durante o sono, pode “perder-se” na cama e despertar. Além disso, caso a criança ainda não tenha a capacidade de adormecer de uma forma mais autónoma, irá permitir que saia da cama mais facilmente em busca de outra forma de adormecer ou de mais uma actividade para resistir a adormecer, dificultando todo o processo de adormecimento.
Contudo, quando a criança nunca se habituou a dormir no berço de grades, está habituada a dormir numa cama sem grades e já domina a capacidade de andar, uma boa solução será colocar o colchão do berço no chão, criando barreiras baixas, à sua volta, de forma que não caia do colchão (modelo Montessoriano).

2 – Qual é a idade mais adequada para esta mudança?
Eu recomendo a mudança para uma cama maior, entre os 2 anos e meio e os 3 anos da criança. Antes desta idade, esta mudança tem que ser ponderada caso o berço deixar de ser seguro, se a criança tente sair e possa cair. Nesta faixa etária, a criança pode participar com maior entendimento nesta mudança, aceitar as regras – “só sais da cama, à noite, se precisares de fazer xixi; se precisares da mamã ou do papá, chamas antes de sair da cama, pois podes magoar-te” e sentirá que ganhou um prémio, uma cama maior, mais liberdade, mas que também tem que assumir mais responsabilidade, na gestão de ter ganho maior autonomia.

3 – Preparar e comunicar
É muito importante que seja abordada esta mudança com a criança e que ela faça parte de todo o processo de compra da cama, lençóis novos, que bonecos colocar na cama, onde colocar a cama. Faça com que a criança se divirta com esta mudança e ao mesmo tempo explique as regras de dormir: como deve adormecer, se despertar, o que deve fazer, quais são as regras desta transição.

4- Qual é a cama ideal para uma criança?
A cama ideal para uma criança, não é uma cama de casal, tanto pelo excesso de espaço, que como expliquei anteriormente, pode levar a que a criança desperte mais vezes, por se perder na cama. Já existem no mercado camas que vão aumentando de comprimento, conforme o crescimento da criança, o que pode ser uma boa opção. Senão, aconselho que mesmo numa cama mais pequena, de solteiro, coloque alguma coisa aos pés da criança que lhe permita sentir onde está o limite, aumentando o sentimento de segurança.

5 – Mantenha a segurança na cama
Escolha bem as barreiras a colocar na cama e que se ajustem bem a ela. Eu tive uma má experiência com umas que ficavam presas com um género de pinças. Ao meio da noite, a minha filha caiu e com ela a barreira. Felizmente, não se magoou e nem acordou! Mas, nós pais ouvimos o estrondo e ficámos muito assustados, mais ainda quando a vimos no chão. Se vive numa casa com escadas, deve colocar alguma barreira que não permita a criança sair do quarto sozinha, ao meio da noite.

Bons soninhos!

Como ajudar o seu filho a dormir nas férias do Natal?

Como ajudar o seu filho a dormir nas férias do Natal

Muitos pais, nesta época de festas, viagens, visitas da famílias, almoçaradas, jantaradas, excitação para as crianças, questionam-me como manter o bom sono finalmente alcançado ou como não perturbar totalmente o sono dos mais pequenos.

É evidente que será mais difícil manter a rotina normal de sono durante a azáfama das festas, contudo ao tentar proporcionar o melhor descanso para as crianças, vai permitir que estas aproveitem estes momentos da melhor forma, evitando birras constantes. Creio que com algumas estratégias, é possível passar momentos inesquecíveis e de diversão em família e com os amigos, a par de proporcionar o descanso necessário às crianças:

1- Não é obrigatório, por alguns dias, ser prisioneiro da rotina.
Se os nossos filhos já têm uma rotina estável e dormem bem há algum tempo, não tendo problemas prévios de sono, podemos permitir que a brincadeira antes de dormir se estenda um pouco mais. Quando, na maior parte das vezes, estamos a atingir as necessidades básicas do sono, as sestas ocasionais perdidas ou a hora de dormir podem não afectar muito os nossos pequeninos. Assim, se algumas semanas antes das férias o sono é uma prioridade, será mais fácil para a criança lidar com menos horas de sono durante as festas.
Para as crianças que recentemente estão a modificar padrões de sono e estão a aprender a dormir melhor, é muito importante manter rotinas, senão não se pode esperar progressos ou até podem existir retrocessos, caso a rotina e o plano de melhoria de sono não for respeitado. Não se deve iniciar processos de melhoria do comportamento face ao sono em alturas que não é possível manter a consistência. Quando for possível manter rotinas, o melhor ambiente de sono e as estratégias definidas, voltam as mãos à obra!

2- Levar objectos/reproduzir ambiente familiar do sono
Quando fizer a mala de viagem ou a mochila para estar algum tempo fora de casa, não se esqueça de levar os objectos que fazem parte da rotina de sono do seu filho, como bonecos, dou dous, chupeta, livros, músicas, saco cama, almofada… Assim tanto para fazer uma sesta ou para dormir à noite fora de casa, a criança se sentirá mais confortável e conseguirá mais facilmente dormir bem.
Pratique a rotina de ir para a cama de forma consistente, reproduzindo-a onde quer que esteja e sempre que puder, tanto nas sestas como à noite. Se em casa, costuma ler sempre a mesma história antes de dormir, leve consigo essa história e reproduza a mesma rotina tal como em casa. Ao guiar a criança para a mesma sequência de eventos antes de dormir, vai permitir à criança maior sentido de conforto e segurança, preparando-a para dormir onde quer que esteja. Ah, nos hotéis não costuma ser fácil manter o escuro tal como em casa, pois não costumam existir persianas, o que pode provocar um despertar mais cedo. Como evitar que isto aconteça? Pode colocar a cama da criança o mais longe possível da entrada de luz, pode colocar uma cadeira contra o cortinado nas laterais, de forma a evitar que entre tanta luz ou pode motivá-la a usar uma venda para dormir (existem umas muito giras com desenhos).

3- Evite sobreestimular os bebés com demasiados estímulos e actividades.
Bebés demasiado cansados vão ter mais dificuldade em adormecer e podem ter mais despertares à noite, por isso não planeei actividades demais. Tente proporcionar vários momentos de descanso, mesmo em movimento no carrinho, no carro…
Tente respeitar os horários de dormir à noite e durante o dia. Se o bebé dormir bem no carrinho por exemplo, não há problema em fazer algumas sestas na rua enquanto todos passeiam, mas cuidado para não exagerar e fazer todas as sestas na rua, porque se o bebé não descansar o suficiente e dormir em lugares muito agitados, a qualidade de sono não será a mesma! No final, a noite pode ser difícil!

4- Evitar demasiadas birras com demasiada descarga emocional.
Há crianças que facilmente ficam muito cansadas. Esteja atento ao comportamento da criança, ao excesso de excitação, birras que pode indicar demasiado cansaço. Se for o caso, retire a criança do ambiente estimulante, explique aos presentes que a criança precisa de descansar e leve-a para um sítio mais calmo, onde possa descansar.
Antes de dormir, é importante ter pelo menos 30 minutos num ambiente mais tranquilo e sugira alguma actividade mais serena para que a criança se prepare para descansar. É normal que com a mudança de rotina, de ambiente e o contacto com novas coisas nestes dias de festa, provoquem mais dificuldade em adormecer e o seu papel é ajudar, tentando não introduzir demasiados novos hábitos que sejam difíceis de retirar posteriormente.

5- Divirta-se e evite momentos de stress!
Explique aos seus familiares e amigos que viajam ou que estão consigo nestas festas que você não é “chata” ou “exageradamente cuidadosa” com os horários do bebé, mas sim que os bebés têm necessidades de sono diferentes dos adultos e mesmo que a mudança de rotina seja passageira, o bebé pode ficar demasiado exausto e ser complicado para todos gerir o choro e a sua impertinência. Se eles insistirem em não “entender”, faça o que for melhor para si e para o seu bebé. Não vale a pena discutir com ninguém, apenas faça o que acha mais certo e não se culpe! Tenha confiança no que considera o mais correcto, até porque a mãe é você!
Tenha um excelente Natal e passagem de ano com a sua família e amigos e não stresse com todas as regras do sono. Mesmo os hábitos menos positivos, adquiridos nestes dias, podem ser removidos quando se volta à rotina normal, por isso não vale a pena criar batalhas nestes momentos, até que por pais stressados, filhos stressados e tudo se torna mais difícil! Divirta-se e aproveite estar com os seus filhos, família e amigos da melhor forma possível!

Boas Festas!

Quando acabar com a sesta?

Quando acabar com a sesta?

Um dos temas abordados na Consulta do Sono envolve as sestas e até quando a criança necessita de dormir a sesta. Alguns pais referem que a criança deixou de dormir a sesta com 3 anos, quando começou a frequentar o pré-escolar numa escola pública ou em alguns infantários que tomaram a mesma decisão. Outros referem que mesmo antes da criança deixar de dormir a sesta na escola, já não dormia a sesta ao fim-de-semana. E a conclusão dos pais, na maioria das vezes, é que não foi benéfico para a criança! Até mesmo quando não associam uma coisa à outra, quando os faço pensar sobre isso, concluímos que começaram a surgir maiores resistências para adormecer à noite e despertares nocturnos, a partir do momento que a criança deixou de dormir a sesta no infantário (antes dos 4/5 anos).

Muito recentemente, a 1 de Junho de 2017, a Sociedade Portuguesa de Pediatria veio apresentar as suas recomendações acerca da sesta nas creches, infantários, públicos ou privados e a recomendação chave é clara: A sesta deverá ser facilitada e promovida nas crianças até aos 5/6 anos de idade”.
A Sociedade Portuguesa de Pediatria afirma ainda que “a privação da sesta e a não realização do total de horas de sono diárias são uma problemática frequente na prática clínica e motivo de preocupação para os pediatras e médicos de família assim como para as respectivas famílias”.

As crianças têm, como é óbvio, as suas características individuais e podem apresentar diferenças de necessidade de sono diário, principalmente a partir dos 4 anos, além de que o tempo total de sono nocturno irá influenciar a duração da sesta e, até a partir desta fase, a necessidade de a realizar. Como podemos saber se a criança está pronta para deixar de dormir a sesta? Ao avaliar estes indicadores:

– Quando existe uma resistência prolongada na hora de adormecer à noite, porque não está cansada (esta questão tem que ser bem avaliada, pois se a criança estiver muito cansada a resistência para adormecer também é maior, pela dificuldade em se acalmar, relaxar para adormecer e pode não ter sinais de sono);
– Apresenta despertares nocturnos ou acorda muito mais cedo de manhã em comparação com a rotina prévia (aqui também temos o reverso da moeda, ou seja, uma criança em privação de sono também pode ter tendência em despertar mais durante a noite, tal como referi anteriormente);
– Incapacidade em adormecer durante o período inicial de 30 a 40 minutos de sesta;
– Tem a capacidade de passar todo o dia acordada com a preservação da atenção, humor e actividade sem necessidade de ter uma sesta.

Nem todas as crianças apresentam as mesmas alterações, em resultado de estarem a dormir menos do que necessitam ou quando deixam de dormir de todo a sesta. Contudo, sabendo o impacto do sono insuficiente em vários problemas comportamentais e fisiológicos, a Sociedade Portuguesa de Pediatria recomenda que a possibilidade de fazer a sesta deve ser implementada até à idade escolar, devendo ser as necessidades de sono individuais tidas em conta. Desta forma as suas orientações são no sentido de:
1- Devem ser proporcionadas as condições adequadas (leito/colchão, ambiente clamo, escuro, com temperatura adequada, limitação de ruído e com vigilância) a todas as crianças em idade pré-escolar a fim de assegurar a qualidade do sono da sesta.
2- Cada criança deve ter um plano individual de sesta, acordado com a família.
3- A sesta deve ser promovida pela educadora de infância na presença de manifestações de privação de sono ou necessidade de sesta pela criança.

Gostaria de acrescentar que, em casa, a criança também deveria ter acesso ao melhor ambiente para poder dormir a sesta e serem os pais a proporcioná-la, já que se a criança se mantiver em espaços de actividade, fora de casa, poderá não conseguir dormir, mantendo o estado alerta. Muitas vezes, não se trata de a criança não ter necessidade de dormir, pode é não haver o ambiente propício para relaxar e conseguir adormecer.

Se desejar saber mais sobre as recomendações da Sociedade Portuguesa de Pediatria sobre o sono diurno, deixo-lhe aqui o link.

Boas sestas! 🙂

Luz de Presença, sim ou não?

Luz de Presença - Sim ou Não?

Hoje vou falar sobre um tema que causa muita confusão para os pais e porque me parece, pelo que tenho assistido na consulta do sono que, actualmente, em muitas casas há sempre luz acesa durante a noite. E isso será bom?

“Qual a intensidade de luz que deve ser deixada no quarto do bebé? Há uma cor que favoreça o sono? O quarto deve estar escuro ou deve haver uma pequena luz?”

Estas são as questões às quais vos vou dar resposta. Hoje sabemos através de vários estudos recentes, que a exposição à luz durante a noite, não é benéfica para a saúde. A presença de luz à noite prejudica a qualidade do sono e afeta o funcionamento do nosso relógio biológico interno. A presença ou não de luz indica ao nosso corpo se é hora de acordar ou de dormir. À noite, quando deixa de haver luz solar, o nosso cérebro é informado de que é hora de produzir a melatonina, a hormona do sono, o que nos permite ficar sonolentos. Contudo, as luzes artificiais perturbam a avaliação do nosso organismo, relativamente ao momento em que se começa a produzir melatonina e que é altura de dormir. Temos que ajudar a melatonina funcionar para proporcionar aos nossos filhos que adormeçam tranquilos, além de que a luz acessa durante a noite aumenta a probabilidade de mais despertares nocturnos, já que estimula o cérebro a despertar.

Hoje sabemos que para todos dormirmos bem, o ambiente deve estar escuro, tão escuro que não se possa ver uma mão à frente. Então, perguntam vocês, como vamos fazer para cuidar do bebé durante a noite, às escuras? A luz necessária para cuidar do bebé durante a noite deve ser fraca e deve ser apagada quando os pais não estiverem no quarto a cuidar do bebé ou quando ele é colocado a dormir no mesmo quarto que os pais.

Segundo uma publicação da Harvard Medical School, de maio de 2012, a luz de qualquer cor afeta a produção de melatonina e atrapalha o sono, mas a luz azul, adequada para mantermo-nos alerta e aumentar a nossa concentração durante o dia, durante a noite prejudica mais o sono do que as outras cores.
Este estudo comparou 6 horas de exposição à luz azul e à luz verde com a mesma intensidade entre si e, concluiu que a luz azul é capaz de suprimir duas vezes mais a produção de melatonina que a luz verde.
A conclusão desta pesquisa mostrou que a melhor cor, ou aquela que menos afeta o nosso relógio biológico e a que menos interfere na produção da nossa hormona do sono, é a cor vermelha. Interessante não, é?

Mesmo antes de ir dormir, o ambiente lá em casa, pelo menos 30 minutos antes, deve ser com luz pouco intensa, para preparar as crianças para relaxar. Além de perturbar o nosso organismo com mensagens contraditórias se realmente é hora de dormir, a luz permite às crianças ver o que está no seu quarto e estimula a manter a brincadeira, tendo maior dificuldade em carregar no “off”.

Se o seu filho está habituado a dormir com luz, o ideal não é apagar bruscamente, mas sim diminuir aos poucos a intensidade dessa luz e até passá-la, posteriormente para fora do quarto. No caso das crianças que já se levantam para ir fazer xixi, aconselho dar uma lanterna pequena com pouca luz que a criança pode acender se precisar.
Ah e, nem sempre a luz resolve os medos! Por vezes, pode aumentá-los pelo efeito sombra que a luz provoca: um ursinho inofensivo pode tornar-se um monstro gigante através da sua sombra. Desta forma, devemos avaliar se a utilização da luz é mesmo necessária, pois é mais desvantajoso um ambiente de luz (por mais ténue que seja) para o sono, do que um ambiente sem luz.

Bons soninhos!

O Soninho do Bebé Prematuro

O Soninho do Bebé Prematuro

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Prematuridade e os números são alarmantes: mais de um em cada dez nascimentos acontecem antes das 37 semanas de gestação. Estes bebés podem sofrer complicações variadas decorrentes da sua prematuridade e o sono também pode ser afectado.

Os estudos nesta área têm concluído que os bebés prematuros têm mais problemas de sono que os bebés com tempo normal de gestação, bem como risco aumentado de respiração anormal durante o sono. Este risco aumenta conforme o maior grau de prematuridade do bebé. Os bebés prematuros desenvolvem ciclos de sono-vigília de forma diferente dos bebés de termo, pois a maturação do sono está relacionada com o tempo desde o nascimento e a idade gestacional.
Um bebé que nasce de termo fica cerca de 15-20 minutos em sono profundo e 65-70 minutos em sono leve. Um prematuro, no início de sua vida, pode ficar apenas 2-5 minutos em sono profundo antes de voltar para o sono leve e é nesta fase que passa a maior parte do seu tempo. Desta forma um prematuro dorme mais que um bebé de termo, diminuindo as oportunidades de interacção com a família e dificultando a amamentação.
Mesmo quando completam 40 semanas de idade corrigida, os bebés prematuros ainda não ficam o mesmo tempo que bebés de termo no estágio de sono profundo, além de que despertam mais vezes durante a noite, levando também mais tempo para dormir a noite inteira, mesmo tendo em conta a idade cronológica corrigida. No entanto, se os devidos cuidados com iluminação, som e manuseio forem tomados no período da noite na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais e, posteriormente em casa, a adequação do padrão de sono do prematuro tende a progredir mais rápido. E quais são estes cuidados? Basicamente tudo o que permite reproduzir o ambiente uterino, nos primeiros tempos de vida, ajudará o bebé a relaxar e a dormir melhor:
– Ser enrolado e criar uma espécie de “ninho”, à sua volta, reproduzindo a contenção do útero materno;
– Usar ruídos brancos, sons semelhantes ao que existe no útero materno;
– Muito colo e embalo, principalmente na posição de lado ou barriga para baixo, o que ajuda a conter os membros do bebé e a que o bebé se sinta mais seguro, pois estando ao colo de barriga para cima, fá-lo sentir que pode cair mais facilmente;
– Oferecer maminha ou chupeta para sugar;
– Dormir com luz durante o dia (atenção a luz não deve bater de forma intensa nos olhinhos do bebé) e escuro durante a noite (mesmo escuro, apague luzes de presença enquanto o bebé dorme).

Bons soninhos!

O seu filho tem pesadelos ou terrores nocturnos?

Terrores Nocturnos & Pesadelos das Crianças

Estes episódios durante a noite podem ser realmente assustadores para filhos e pais. Muitos pais com bebés pequenos costumam perguntar-me se acho que os despertares se devem a terem pesadelos. Nem sempre a resposta pode ser tão concreta e parece-me que utilizamos esta justificação para os despertares muitas vezes, quando não se aplica. Por isso, para começar gostava de vos informar sobre a diferença entre terrores nocturnos e pesadelos e, acima de tudo, referir que é mais fácil perceber a diferença se vos explicar que num terror nocturno, a criança está num estado semelhante ao sonambulismo, não estando acordada. Além disso, apesar de os bebés também sonharem, os pesadelos são típicos a partir dos 2 anos, quando se inicia uma estruturação cerebral muito complexa e a fantasia é mais intensa, podendo durar alguns anos.
Resumidamente, as diferenças entre terrores nocturnos e pesadelos:

Terrores Nocturnos & Pesadelos

A maioria das crianças mais pequenas tem medo de voltar a dormir após um pesadelo, pois há a dificuldade em distinguir entre o sonho e a realidade, mesmo depois de acordarem. Costumo recomendar que quando os pais percebem que a criança verbaliza que sonha ou tem pesadelos e não consegue entender o que se passa, devem começar a explicar que são criações suas, dentro da sua cabeça, onde ela “mistura” informação do dia, algo que viu, algo que pensou. Esta explicação deve ser feita com palavras que a criança entende e de forma ajustada à idade. Pode explicar que o pai e a mãe também sonham e o que costumam fazer quando têm um sonho mau. Recordo-me que a minha filha quando tinha entre os 2 e 3 anos, integrou a minha explicação sobre o que é sonhar e começou a dizer: “Mãe, hoje fiz um sonho!”. Achei piada como ela conseguiu explicar, à sua forma, o que é sonhar!

O conteúdo dos pesadelos difere consoante as idades e reflectem momentos especiais do desenvolvimento. As crianças mais novas preocupam-se muito com a separação dos pais e os pesadelos podem envolver um evento recente e traumático (ex: perder-se; tomar vacinas; ser incomodada por um cão grande…), enquanto as crianças a partir dos 3 anos começam por incorporar monstros ou outras criaturas imaginárias e assustadoras, estimuladas geralmente, por filmes, programas de TV, histórias ou uma experiência do dia-a-dia perturbadora. Os pesadelos podem coincidir com um evento stressante ou traumático e se forem muito frequentes, a criança deve ser avaliada e acompanhada psicologicamente.

O que acontece, no terror nocturno, é uma mudança do ciclo de sono, mais na segunda metade da noite, num estádio que nem é de dormir nem é de acordar e se os pais tentam acordar a criança ou intervir, podem parecer os hipotéticos monstros que perseguiam a criança. Por isso, muitas vezes não fazer nada, assegurando apenas a segurança da criança, é a melhor solução. Outras vezes, utilizar a voz para acalmar, dizendo que está tudo bem, que está ali, não agarrando a criança, pode ser uma boa opção.

Existe uma correlação forte entre privação de sono e aumento de episódios como os terrores e os pesadelos, por isso, ao cuidar da forma como a criança adormece e garantir que dorme as horas que precisa para a sua idade, existe uma diminuição significativa destas situações. O adormecer acompanhada e depois aperceber-se que está sozinha, pode ter muito impacto nestes comportamentos durante o sono. Não se esqueça que precisamos de sentir segurança e controle sobre o que nos rodeia para podermos relaxar e ter um sono tranquilo.

Outro factor que interfere bastante com o aumento destes episódios, é o contacto diário com écrans e, atenção, não é necessário que veja coisas assustadoras ou perturbadoras, basta o excesso de informação e de estimulação. Os estudos indicam que só a partir dos 2 anos, a criança tem uma estrutura cerebral preparada para lidar com o excesso de informação proveniente dos écrans, assim nessa idade só deve estar exposta aos écrans durante poucos minutos e nunca próximo da hora de dormir. Os écrans que são utilizados perto dos olhos ainda têm pior efeito que a TV.
Há que perceber se existe causadores de stress durante o dia que podem estar na causa destes episódios, durante a noite. Na fase das birras é comum as crianças acordarem aos gritos ou estarem a dormir e dizer: “Não, não!”. Além de ser stressante para os pais esta fase das birras, também o é para os mais pequenos. Se souber lidar melhor com a frustração, poderá conseguir diminuir a carga de stress que estas provocam.
É importante saber reconfortar a criança, no caso dos pesadelos, fazendo com que ela perceba que um sonho não é a realidade e que os pais mantenham a calma, assegurando o equilíbrio entre acalmar a criança e não dar atenção excessiva. A conversa sobre os pesadelos deve ser mantida no dia seguinte, bem como ajudar a criança a encontrar estratégias para lidar com eles:
– encontrar um objecto securizante que pode ajudar a confortar;
– conversar sobre se é necessário acender a luz e mantê-la ligada, o que pode aumentar os medos, provocando sombras que podem assustar. Se a criança precisar de acender a luz para ver se está tudo bem, tente manter a regra de ter que desligar para voltar a dormir. Se ansiedade da criança face ao escuro for muito grande, recomendo uma luz de presença de cor vermelha, estrategicamente colocada de forma a não provocar sombras assustadoras.
-encorajar a fazer desenhos sobre os pesadelos, resolvendo-os de forma imaginária.
Acima de tudo os pais têm que estar seguros e passar confiança à criança de que se trata de fenómenos normais do sono, de que não há nada a temer e só se devem preocupar se se tornarem frequentes. Caso seja assim, procure ajuda para o seu filho. Na consulta do sono, ajudo muitas crianças a ultrapassarem situações destas.

Sonhos cor-de-rosa!

Como a meditação pode ajudar o seu filho a dormir melhor

Meditação para Crianças

A meditação é uma técnica de relaxamento que tem ajudado muitas crianças a equilibrarem-se emocionalmente. A meditação interfere diretamente e positivamente nos sentimentos, provocando um estado de calma e harmonia únicos e é um dos métodos mais recomendados para ajudar-nos a adormecer e a tranquilizar a nossa mente.
Já tinha pensado que pode utilizar a prática da meditação para ajudar o seu filho a adormecer mais rapidamente e mais tranquilamente? A boa notícia é que a meditação para crianças pode e deve ser incorporada no ritual para dormir. A meditação pode ajudar as crianças da mesma forma como ajuda os adultos, além de ser uma ferramenta valiosa que pode ser utilizada na escola, como potenciadora da concentração e inteligência emocional, como em casa, promovendo o relaxamento, paz interior, aumento da auto-estima e auto-confiança. Quando praticada com os pais, permite haver um momento de conexão e interacção emocional, desencadeando um momento de partilha de sensações tranquilizadoras e relaxantes.

Para partilhar convosco os benefícios da meditação relativamente ao sono, decidi convidar para escrever comigo este artigo, a educadora e professora de meditação para crianças, Susana Guerreiro, que tem feito um trabalho extraordinário de divulgação, formação e directamente com as crianças, nesta área fascinante que é a meditação. Segundo a Susana, a meditação é uma ferramenta inigualável para ajudar a criança a adormecer de forma tranquila, relaxando todo o seu corpo, mente e tranquilizando as emoções. Com este apoio a criança tem a oportunidade de adormecer de forma natural, num ambiente harmonioso.
A meditação como ritual antes de adormecer pode ser introduzida a partir dos 3 anos, mas terá que ajustar as suas expectativas consoante a idade da criança e o seu temperamento. Uma criança de 3 anos não conseguirá estar poucos minutos a fazer uma meditação guiada, mas pode aprender a fazer exercícios de respiração.

Aqui vos deixamos algumas recomendações para que comece a introduzir esta técnica maravilhosa na vida do seu filho:
– É importante que a criança não esteja demasiado cansada quando decide introduzir a meditação, se for esse o caso, deixe para o dia seguinte e tente que este momento não aconteça quando a criança já não tem capacidade para o fazer.
– Depois de escovar os dentes, vestir o pijama e precisamente antes de ir para a cama, é um bom momento para praticar a meditação;
– Use a meditação como um momento para conectar-se com o seu filho, pois vai permitir que ambos usufruam dos mesmos sentimentos juntos, como a calma, o relaxamento, ao mesmo tempo;
– Comece por exercícios breves de respiração, dois exemplos: inspirar profundamente e ao expirar fazer algum som de um animal (inspirar e bzzzzzzzzz (como a abelha) ou ronronron como o gato) ou “cheirar a flor” e de seguida “apagar a vela”. Pode pedir para que a criança coloque a mão na sua barriga e sinta que quando inspira, a barriga abaixa e quando expira fica mais saliente;
– Pode utilizar músicas relaxantes que ajudem a tranquilizar ou para crianças maiores pode utilizar meditações guiadas em áudio que não devem durar mais que 5 minutos;
– Uma forma básica de introduzir a meditação é através da Relaxação Muscular Progressiva que funciona da seguinte forma: a criança deita-se na sua cama, fecha os olhos e a mãe ou o pai diz: “agora concentra-se nos teus dedos dos pés, se os sentes, podes mexê-los e vão caminhando assim ao longo do corpo“. Posteriormente pode-se introduzir a contracção de cada zona do corpo e relaxar de seguida.
– Procure livros que o ajudem a introduzir a meditação com o seu filho, a nossa sugestão é o livro: 52 Meditações para Crianças, da Susana Guerreiro que teve a amabilidade de vos deixar aqui um exemplo de uma meditação, retirada do seu livro:

Meditação – Sentir calma

“Deita-te de barriga para cima num sítio onde fiques confortável.
Repara se o teu corpo está todo direitinho.
Coloca as mãos junto à anca, no chão, e vira as palmas para cima.
Fecha os olhos.
Relaxa os pés, as pernas, a barriga e o peito, os braços e as mãos, o pescoço e a cabeça.
Respira fundo 3 vezes. 1…2…3.
Vês uma luz azul descer do céu e entrar dentro do teu corpo.
A luz entra pela cabeça, desce para o pescoço, para os braços e mãos, peito, barriga, pernas e pés.
Tens o corpo cheio de luz azul e sentes-te muito calmo.
Agora vês uma pena branca.
A pena balouça-te no ar. Sentes-te muito calmo e relaxado.
Balouças muito devagar.
Sentes o teu corpo ficar cada vez mais mole.
O teu coração fica calminho.
Respira fundo.
Vais continuar com esse sentimento de calma dentro de ti.”
Descansas tranquilo na tua caminha.

Por fim, gostaríamos de dizer que não se devem preocupar se o vosso filho não cooperar imediatamente com a introdução da meditação, nesta situação, deve estimular todas as noites para que seja possível, mas ao ritmo da criança.

Boas meditações e bons soninhos!

Para mais informações:
[email protected]
Facebook: https://www.facebook.com/meditacaoparacriancas/

Rabugento depois da sesta?

Rabugento depois da Sesta? Se o seu filho acorda rabugento, difícil de acalmar após uma sesta, muito provavelmente não dormiu o suficiente. A nossa tendência como pais, é considerar que se o nosso filho acorda rabugento é porque não quer estar mais deitado ou a dormir, mas muitas vezes, o que se passa é que criança ainda precisava de dormir mais e não sabe como lidar com a sua impertinência, nem sabe que a solução seria continuar a dormir. Muitos pais de bebés procuram-me para os ajudar com o sono diurno, pois os seus bebés dormem sestas de 10/ 15min / 30 min /45 min e, mesmo que acordem até bem dispostos, passado pouco tempo estão novamente impertinentes e conforme o dia vai avançando, têm cada vez mais dificuldade em adormecer ou a manter-se a dormir, ou seja, quanto mais cansaço houver, mais dificuldade em adormecer e em prolongar o sono. É uma bola de neve… Porque será que pode haver esta tendência?

1- A tendência para dormir sestas curtas é maior em bebés pequenos. Com o tempo, conforme a capacidade de estar mais tempo acordado sem ficar cansado vai aumentando, a probabilidade de consolidar sestas mais longas ao longo do dia, é maior.

2- Adormecer numa situação diferente da que se vão manter a dormir. Quanto menos autónomo for o adormecer, maior tendência para dormir sestas curtas, porque a criança, num momento de transição de fases de sono ou entre ciclos de sono (microdespertar), mais facilmente se aperceberá que algo mudou, tendo mais dificuldade em se manter a dormir. Ex: adormecer embalado e depois ser colocado no berço que não continua a ser embalado.

3- Se os pais/cuidadores, depois de uma sesta curta (inferior a uma hora), passarem a mensagem: “ok acordaste, já não é para dormir mais, vamos brincar”, sem tentar que voltem a adormecer, a tendência de dormir sestas curtas irá ficar “marcada” no relógio biológico da criança. Ou seja, a nossa resposta às sestas curtas também pode reforçar essa tendência.

4- Adormecer exausto, aumenta a probabilidade de maior agitação no sono, consequentemente aumenta a probabilidade de despertar.

Então como pode ajudar o seu filho a dormir sestas mais longas e adequadas à sua idade?

  •  Não assuma que uma sesta chegou ao fim quando durou menos de 30 a 40 minutos. Ou seja, antes de ir a correr quando houve os ruídos (inclui choramingar) que indicam que acordou, espere, oiça e antes de avançar, tenha a certeza que o seu filho não irá continuar a dormir, sem ajuda. Se aparece no momento em que ainda existe a possibilidade do bebé voltar a dormir sozinho, poderá estimulá-lo a manter-se acordado.
  • Quanto mais escuro, melhor. Surpreendido(a)? Pois é, muitos pais mantêm a ideia que as sestas devem ser em ambiente de luz, como recomendado nas primeiras semanas de vida do bebé. Contudo, esse ambiente pode ser só necessário nessas primeiras semanas para ajudar o bebé a distinguir o dia da noite, mas com o passar do tempo o bebé irá dormir melhor no escuro. Um ambiente sem luz, ajuda o organismo a perceber e a preparar-se para dormir, além de evitar estímulos que possam manter o bebé desperto.
  • O ambiente silencioso é o mais adequado. Existem crianças muito sensíveis aos ruídos e, por mais que se tente que habituá-los a dormir com ruído, irão sempre dormir melhor no silêncio ou num ambiente em que existe um som contínuo e repetitivo. Nos primeiros tempos de vida, os ruídos brancos (parecidos com o som do secador ou exaustor) poderão ajudar o bebé a dormir melhor, pois são sons semelhantes ao ambiente uterino que são familiares para o bebé. Com o passar do tempo, muitos bebés deixam de gostar destes sons e passam a preferir músicas de embalar. Atenção, se usar estes sons nas sestas, devem estar ligados todo o tempo da sesta, pois se é desligado, o bebé pode acordar com essa mudança no ambiente.
  • Inclua sempre um mini-ritual antes das sestas. Uns minutos antes de colocar o bebé para dormir, deve levá-lo para um ambiente mais calmo, diferente daquele onde costuma brincar, mudar a fralda, falar mais baixo com o bebé, relaxá-lo no colo e depois deitá-lo. Se retira o bebé de um ambiente estimulante e rapidamente o colocar para dormir, o bebé pode não estar preparado para fazer esta transição de vigília para o sono. Alterar o comportamento da criança relativamente ao sono diurno pode ser mais difícil do que no sono nocturno, mas com calma, persistência e com tempo, é sempre possível ajudar um bebé que passa horas acordado ou faz sestas muito curtas, a tornar-se um verdadeiro dorminhoco e bem disposto!

Estas dicas que aqui deixo são generalistas. Se não ajudar no seu caso, o meu conselho é que agende uma consulta do sono onde possamos desenhar um plano personalizado e garantir todo o apoio e acompanhamento necessários.

Boas sestas!

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